domingo, 1 de julho de 2007

O Gasto do Governo com Juros

Em recente entrevista, o vice-presidente da República, José Alencar, disse que o Brasil "joga dinheiro pela janela" ao praticar juros tão altos. A afirmação foi feita na abertura do seminário Ethanol Summit 2007, em São Paulo. Segundo Alencar, apenas no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil pagou R$ 600 bilhões em juros. "Se tivéssemos reduzido a taxa nominal à metade da praticada, haveria a economia de R$ 300 bilhões, que poderiam ser usados para saúde, educação e infra-estrutura, uma vez que temos um Orçamento muito enxuto que não contempla todas as necessidades."

É verdade que existem outros itens e "ralos" dos gastos do orçamento do governo federal que também poderiam ser focados (pagamento de funcionários fantasmas, corrupção, fraudes nas aposentadorias, altos salários de alguns cargos da elite do funcionalismo que poderiam ser adequados à realidade e outros a serem melhor investigados), mas seguramente os gastos com o pagamento dos juros e do principal da chamada dívida pública interna (contida nos diversos títulos públicos ofertados a diversos investidores do mercado financeiro) consta entre os maiores. Contudo, quando a revista Veja e a rede Globo abordam a problemática dos gastos públicos, só focam (ou focam fundamentalmente) os gastos do governo com a previdência e assistência social, e mesma coisa quanto ao funcionalismo (aqui eles o fazem no sentido geral, e não de forma localizada nos altos cargos e nos cargos de comissão bem remunerados).

E ao focarem nos gastos descritos, as forças liberal-conservadoras e reacionárias lançam mão de diversos sofismas, entre os quais consta aquele segundo o qual é necessário que se corte fortemente gastos nas áreas citadas para que o Estado tenha recursos disponíveis a serem destinados à chamada infra-estrutura (estradas, portos, aeroportos, ferrovias, hidrelétricas, termelétricas, redes de telecomunicação e outras), a fim de que, com menos impostos incidindo sobre os mais ricos deste país e sobre seus empreendimentos e aplicações financeiras, haja mais investimentos nos setores ditos produtivos e, como resultado disso, a Terra Brasilis passe a gerar os tão sonhados empregos ansiados por milhões de marginalizados pelo sistema.

Por trás desse discurso de corte de gastos em áreas essenciais para a manutenção do emprego e da subsistência de amplos estratos sociais do País - e aqui de forma alguma incluo os que de fato estão na condição de privilegiados, os quais certamente não são muitos dos que são apontados por porta-vozes da elite econômica - , existe uma forte determinação, por parte da elite econômica nacional - associada à transnacional - de transformar o Estado brasileiro em um Estado mínimo, focado essencialmente na defesa da propriedade, dos contratos e do subsídio a suas atividades.
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4 comentários:

Djalma disse...

Bom dia, Francesco ?
Não tem nada haver liberais querendo que o Estado invista em setores de infra-estrutura citadas por você .
Os liberais querem a total privatização destes setores !
Como pode liberais a favor da intervenção do Estado ?
Até mais .

Francesco De La Cruz disse...

Djalma, desculpe-me por favor por corrigi-lo. Ao desejar um bom dia para alguém, não se escreve um ponto de interrogação no final. De igual forma, não há necessidade do ponto de exclamação após a frase "Os liberais querem a total privatização destes setores", a não ser que você queira dar a ela um tom de discurso, tal como fazem políticos, líderes religiosos e outros ao subirem em palanques, púlpitos, etc.

Agora escrevo sobre seu comentário. Djalma, se você esteja se referindo a liberais fundamentalmente teóricos, que disfarçam que não tem nada a ver com o sistema vigente neste País desde Fernando Collor, mas em suas vidas privadas ganham muito dinheiro sob este mesmo sistema, obviamente discordo radicalmente de sua afirmativa. Os contrários a qualquer tipo de liberalismo no campo econômico têm consciência de que, apesar desses liberais pretensamente "puros" condenarem o liberalismo sui generis (o que vige no Brasil e em muitos países do mundo) como sendo uma farsa, eles próprios são os primeiros a defender este mesmo sistema se outros, com maior intervenção do Estado, ameaçar seus ganhos (vide o caso da Venezuela, por exemplo). Para finalizar, cito-lhe um exemplo. Você conhece o economista Carlos Alberto Sardenberg, que faz comentários sobre Economia no jornal da Globo, no horário próximo à meia-noite? Pois é, eis ali um que se diz liberal e nutre simpatia pelas idéias de Milton Friedman, mas, ao mesmo tempo, defende mais (muito mais) investimentos do Estado nos chamados setores de infra-estrutura e fooorte diminuição de gastos nas áreas de Previdência, Assistência Social e funcionalismo público.

Obs.: o "fooorte" que eu escrevi em uma das linhas do segundo parágrafo buscou reproduzir a forma como eu ouvi ele próprio pronunciar este adjetivo em um de seus comentários na rádio CBN (ligada à Globo).

Existe mais coisa a dizer sobre seu comentário, mas preciso parar por aqui em razão da falta e da inadequação do espaço.

Francesco De La Cruz disse...

OBSERVAÇÃO: o post excluído era de minha própria autoria e eu o fiz apenas para aperfeiçoar o texto que consta logo em seguida ao excluído. Escrevo isso para que não pensem que excluí algum comentário de leitor liberal. Afinal, apesar de totalitário, costumo aceitar alguns detalhes da chamada democracia burguesa.

Djalma . disse...

Bom dia, Francesco .
Discordo no seu argumento em alguns pontos por exemplo sobre o Carlos Alberto Sardenberg, conheço pessoalmente e o mesmo não é economista, a sua profissão é jornalista .Sardenberg, realmente, diz isso porque sabe que neste País atrasado não se pode dizer sobre privatização . Aliás, várias vezes ouvi este jornalista pregar a privatização de vários setores também .É o preço que o Sardenberg, paga de ser incoerente com o seu ponto de vista .
Mais gosto dele ! É uma pessoa muito legal e um dos poucos jornalistas que entendem de Economia . Sobre, jornalista econômica gosto da Denise Campos de Toledo, da rádio Jovem Pan .Também uma grande defensora da Economia de Mercado .