sábado, 3 de novembro de 2007

Estabilizou-se a Inflação? A que Preço?

O governo de Fernando Henrique Cardoso conseguiu obter uma relativa estabilidade no que se refere à freqüência e à intensidade dos aumentos de diversos preços considerados em média. Mas quem se aprofundar no estudo da forma como ele o fez, a não ser que seja de alguma vertente liberal interessada no aprofundamento das reformas iniciadas pelo ex-governante, descobrirá algumas dramáticas consequências. E estas não se restringem ao aspecto social.

Sustenta-se, entre parte significativa dos economistas e outros que se beneficiam da chamada financeirização da riqueza, que uma das formas de se obter a estabilidade monetária é através da vinculação da moeda desvalorizada a uma outra (ou algum ativo) cujo poder de troca permaneça estável. Se há um aumento do meio de troca usado para adquirir produtos ou contratar serviços (a moeda ou outro ativo), quando este for percebido pelos agentes econômicos a tendência é de que estes reajustem os precos de seus produtos e/ou serviços.

A partir do ponto de vista do parágrafo anterior, a principal razão da inflação brasileira estaria no excesso de gastos por parte do Estado finaciados por emissão de moeda sob o controle deste e sem os correspondentes aumentos de produtos e serviços na mesma proporção. Uma outra causa da inflação estaria no fato de muitos preços da economia brasileira estarem indexados a algum índice (ou percentual) de reajuste destinado a restabelecer o que seria o seu valor.

Assim sendo, uma das formas de se combater a intensidade e a frequência do aumento de diversos preços seria através do controle da moeda por meio da contenção de gastos de seu próprio controlador e emissor: o Estado. E este controle deveria adequar-se ao montante arrecadado com os impostos. A outra, complementar a esta, seria encontrar uma forma de desindexar pelo menos parte significativa dos preços, entre os quais constam, fundamentalmente, o dos salários pagos aos que dependem do trabalho para a subsistência.


Uma outra forma de combate à inflação seria através da troca de títulos públicos e outros ativos rentáveis por recursos vindos de agentes econômicos privados (nacionais e transnacionais), de tal forma que estes últimos obtivessem ganhos com essa transação na forma de juros e correção monetária; e, da parte do governo, este teria como cobrir suas despesas mesmo que estas excedessem o montante arrecadado com os impostos.

Por fim, uma outra opção seria combinar adequadamente a primeira e a segunda forma de combate à inflação, expostas nos dois parágrafos anteriores, com um programa de reformas institucionais e econômicas entre as quais constariam as privatizações de diversos setores produtores de bens (siderúrgico, petroquímico, etc) e de serviços (o de telefonia, o de fornecimento de gás encanado e o de energia elétrica, entre outros) pertencentes ao Estado tendo por um dos objetivos atrair moeda estável (dólares, principalmente), além de favorecer empreendedores e investidores (nacionais e estrangeiros). Foi esta terceira forma de combate à inflação, exposta a grosso modo, a escolhida pela futura equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso na elaboração do Plano Real, em 1994, ainda sob o governo de Itamar Franco.

Usando como chamariz taxas de juros as mais altas do mundo, aceitando a conversão de títulos públicos expressos em dólar, leiloando empresas estatais de serviços públicos essenciais e produtoras de minérios e energia estratégicos, desregulamentando a economia e abrindo-a para os produtos e investimentos (em produção e especulativos), além de usar um banco estatal e federal para sanear as ex-empresas estatais, e igualmente para emprestar recursos aos seus novos acionistas privados (nacionais e transnacionais), entre outras medidas altamente favoráveis ao capital (seja nacional, seja transnacional) o governo brasileiro de Fernando Henrique Cardoso conseguiu atrair montanhas de dólares para o Brasil.

Este texto ainda está "em construção", devido a minha falta de tempo disponível para terminá-lo, e também em razão de minha dificuldade em escrever sobre o tema, por ser bastante complexo.

2 comentários:

Rodrigo disse...

Olá, Francesco. Agradeço os comentários no blog informadordeopiniao.

Realmente, nunca mais voltei àquela comunidade, dominada por barraqueiros e gente infantil. Prefir ter mais concentração para refletir. Gostei bastante do seu blog, depois o visito com mais calma.

Abraços

siziggy disse...

Respeito seu apreço pela correção da lingua escrita e imagino que o tempo é um bem que não lhe seja tão abundante mas deixe de lado esse preciosismo e escreva mais o quanto possível. A propósito, o que vc achou da não aprovação da CPMF? Quem levou mais ferro? O governo Federal, os governadores, o PSDB? Eu proporia uma enquete onde os leitores votassem.