Deveria haver um vaso sanitário no próprio assento usados pelos funcionários de call center e telemarketing, setores que cresceram bastante no Brasil desde o triunfo do sistema capitalista de vertente neoliberal. Assim, os que trabalham nesses setores não precisariam "perder tempo" deslocando-se ao banheiro e, como consequência, obteriam mais clientes e mais resultados ($ plim plim, eis o barulho da caixa registradora) para os acionistas das empresas desses setores. Afinal, sob a ideologia neoliberal prevalece o seguinte: aos que dependem do trabalho para a subsistência, aplica-se o downsizing e a filosofia do copinho descartável de café após ter sido usado. Diferentemente desse primeiro grupo, para o deus cliente reserva-se a adoração, principalmente quando este estiver propenso a adquirir um produto, ou possuir características de que tem condições de adquiri-lo.
Com a instituição do método revolucionário referido no parágrafo anterior, haveria melhores resultados de vendas de produtos e serviços oferecidos por uma empresa e uma possível ultrapassagem das metas estipuladas para cada operador(a)-vendedor(a). Essa ultrapassagem exigiria uma remuneração maior a cada operador(a)-vendedor(a) que se destacasse nas vendas, e essa remuneração seria proporcional aos resultados obtidos. Pois, convenhamos, fazer as necessidades fisiológicas no próprio local onde exerce sua função exigiria um "plus" ($ plim plim) e tanto para incentivar o(a) operador(a) a continuar submetido a essa nova condição de trabalho. Ah, claro, os funcionários teriam de ser colocados dentro de cabines fechadas providas com ar condicionado e nas quais houvesse jatos desodorizadores automaticamente sempre que dessem vazão a suas necessidades fisiológicas. Afinal, com cheiro ruim por perto o resultado das vendas no final de cada mês poderia ser muito baixo, e isso seria ruim para os ganhos dos acionistas.
Essa proposta tem sua razão de ser nesta nova fase do capitalismo, dominado por uma de suas vertentes mais nefastas (o neoliberalismo), pois não são poucas as empresas desse novo empreendimento cujos chefes e gerentes cronometram, sem serem notados, ou mesmo descaradamente, o tempo de ida, permanência e volta somados dos funcionários "menos resistentes a dar vazão a suas necessidades fisiológicas", a fim de maximizarem ($ plim plim) os resultados da corporação (empresa), algo que se constitui em flagrante assédio moral e atenta contra a dignidade humana.
Mas, afinal, que importa o assédio moral a pessoas que dependem do trabalho para a subsistência? Pois o fundamental é que apenas três entes subsistam no sistema que exclui aos montes e de destrói o ecossistema, quais sejam: o empreendedor, o funcionário altamente especializado e o deus cliente, citado no parágrafo inicial. Os que dependem do trabalho para a subsistência são como lixo orgânico, putrefato e inútil das cidades e do campo, substituídos aos poucos por tecnologias dispensadoras do trabalho humano e obrigados a submeter-se a formas sub-humanas de trabalho.
Este artigo ainda não foi concluído. Em havendo tempo disponível e criatividade de minha parte para terminá-lo, pretendo fazê-lo. Caso falte um desses dois itens, ficará como está.
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