"Inútil, a gente somos inútil", essa é a canção que me vem à mente quando olho o mundo e percebo o sistema excludente e desumano quase que completamente intacto em suas estruturas, apesar do rastro de bilhões de pessoas sedentas (de água não contaminada e de justiça), famintas e marginalizadas.
Automatizam-se os meios de produção e de prestação de serviços de modo a substituir pessoas que dependem do trabalho para sobreviver. Softwares (a grosso modo, sistemas operacionais, aplicativos e programas) e equipamentos modernos substituem funcionários administrativos. Introduz-se o downsing, o programa de qualidade total, o just-in-time e outros sistemas ditos modernos e essencias à sobrevivência das corporações (as empresas). Amplia-se cada vez mais a mecanização da produção agrícola, dispensando os que tiravam seu sustento do trabalho em terras alheias. Neste novo sistema de produção internacionalizado (ou globalizado) e "competitivo" - na verdade, dominado por grandes e poderosos oligopólios - a produção e até mesmo a prestação de serviços se fragmentam, deixando o país no qual situam-se suas matrizes, e se fixando provisoriamente em países nos quais os impostos cobrados, as leis trabalhistas, os salários pagos e a legislação de proteção ao ecossistema, entre outros quesitos, lhes propiciam maiores lucros.
Nas mais diversas corporações (empresas) e instituições financeiras, nacionais e transnacionais, radicalizam-se os processos de terceirização e contratação por tempo determinado sem vínculo empregatício. E como se não bastasse isso e o exposto no parágrafo anterior, grassam as discriminações nos processos de recrutamento e seleção de candidatos(as) a emprego e, consequentemente, a exclusão dos discriminados pelos mais diversos motivos: idade, gênero, aparência, etnia, cor, classe social, pelo quantidade de tempo em que se está desempregado, pela quantidade de tempo em que ficou nos últimos empregos e muitos ... muitos outros.
Sofisticam-se sistemas financeiros de modo a enriquecer pouquíssimas pessoas a partir de expectativas de crescimento dos lucros e de aumento do capital das empresas das quais possuem ações, além de enriquecerem por meio de ataques especulativos a moedas tendentes à desvalorização, através da especulação com comercial papers, ou da venda de ações de empresas cuja contábilidade foi fraudada para demonstrar lucro e expectativas de lucro inexistentes. E todo esse enriquecimento de pouquíssimas pessoas se dá sem que haja investimento em atividades ligadas à produção de bens e de serviços no mundo real, como se fosse uma máquina de gerar dinheiro a partir do nada.
Neste novo mundo em que detentores do capital minimizam cada vez mais seus custos, e aumentam exponencialmente seus lucros, existem apenas três entes: o empreendedor, o funcionário altamente especializado e o cliente. Somado a estes, impõe-se o ambiente político, econômico e institucional da elite econômica que controla o Estado: a coerção para que os contratos firmados sejam rigorosamente cumpridos, o Estado mínimo para as áreas de proteção à vida e à dignidade da pessoa humana, e Estado grande o suficiente para as ligadas à de segurança e de proteção à propriedade privada. O resto ... que resto? Existe algum resto? Se não se incluem em qualquer dos três entes citados, simplesmente não existem. E se insistem em existir e se opor a esse sistema devem ser anulados ou aniquilados.
Sob o sistema descrito, o ser humano em si, desvinculado do estar e/ou de ter potencialidade para estar cliente, empreendedor ou funcionário altamente especializado é como um lixo orgânico putrefato e inútil (ou, se preferirem, lixo ambulante não-reciclável, conforme expressão criada por ... terá sido eu o primeiro a usar essa expressão? ... em discussões cibernéticas).
A maioria de nós pertence aos "a gente somos inútil", e isso se dá em razão da probabilidade significativa de passarmos da condição de prestadores de serviço, ou de empregados com remuneração suficiente para a própria subsistência e de poucos entes queridos, à de desempregados ou subempregados crônicos sem remuneração ou com remuneração insuficiente. E, em qualquer destas últimas condições, não são poucos os que cruzam a fronteira da vida minimamente digna em direção à sub-vida.
Automatizam-se os meios de produção e de prestação de serviços de modo a substituir pessoas que dependem do trabalho para sobreviver. Softwares (a grosso modo, sistemas operacionais, aplicativos e programas) e equipamentos modernos substituem funcionários administrativos. Introduz-se o downsing, o programa de qualidade total, o just-in-time e outros sistemas ditos modernos e essencias à sobrevivência das corporações (as empresas). Amplia-se cada vez mais a mecanização da produção agrícola, dispensando os que tiravam seu sustento do trabalho em terras alheias. Neste novo sistema de produção internacionalizado (ou globalizado) e "competitivo" - na verdade, dominado por grandes e poderosos oligopólios - a produção e até mesmo a prestação de serviços se fragmentam, deixando o país no qual situam-se suas matrizes, e se fixando provisoriamente em países nos quais os impostos cobrados, as leis trabalhistas, os salários pagos e a legislação de proteção ao ecossistema, entre outros quesitos, lhes propiciam maiores lucros.
Nas mais diversas corporações (empresas) e instituições financeiras, nacionais e transnacionais, radicalizam-se os processos de terceirização e contratação por tempo determinado sem vínculo empregatício. E como se não bastasse isso e o exposto no parágrafo anterior, grassam as discriminações nos processos de recrutamento e seleção de candidatos(as) a emprego e, consequentemente, a exclusão dos discriminados pelos mais diversos motivos: idade, gênero, aparência, etnia, cor, classe social, pelo quantidade de tempo em que se está desempregado, pela quantidade de tempo em que ficou nos últimos empregos e muitos ... muitos outros.
Sofisticam-se sistemas financeiros de modo a enriquecer pouquíssimas pessoas a partir de expectativas de crescimento dos lucros e de aumento do capital das empresas das quais possuem ações, além de enriquecerem por meio de ataques especulativos a moedas tendentes à desvalorização, através da especulação com comercial papers, ou da venda de ações de empresas cuja contábilidade foi fraudada para demonstrar lucro e expectativas de lucro inexistentes. E todo esse enriquecimento de pouquíssimas pessoas se dá sem que haja investimento em atividades ligadas à produção de bens e de serviços no mundo real, como se fosse uma máquina de gerar dinheiro a partir do nada.
Neste novo mundo em que detentores do capital minimizam cada vez mais seus custos, e aumentam exponencialmente seus lucros, existem apenas três entes: o empreendedor, o funcionário altamente especializado e o cliente. Somado a estes, impõe-se o ambiente político, econômico e institucional da elite econômica que controla o Estado: a coerção para que os contratos firmados sejam rigorosamente cumpridos, o Estado mínimo para as áreas de proteção à vida e à dignidade da pessoa humana, e Estado grande o suficiente para as ligadas à de segurança e de proteção à propriedade privada. O resto ... que resto? Existe algum resto? Se não se incluem em qualquer dos três entes citados, simplesmente não existem. E se insistem em existir e se opor a esse sistema devem ser anulados ou aniquilados.
Sob o sistema descrito, o ser humano em si, desvinculado do estar e/ou de ter potencialidade para estar cliente, empreendedor ou funcionário altamente especializado é como um lixo orgânico putrefato e inútil (ou, se preferirem, lixo ambulante não-reciclável, conforme expressão criada por ... terá sido eu o primeiro a usar essa expressão? ... em discussões cibernéticas).
A maioria de nós pertence aos "a gente somos inútil", e isso se dá em razão da probabilidade significativa de passarmos da condição de prestadores de serviço, ou de empregados com remuneração suficiente para a própria subsistência e de poucos entes queridos, à de desempregados ou subempregados crônicos sem remuneração ou com remuneração insuficiente. E, em qualquer destas últimas condições, não são poucos os que cruzam a fronteira da vida minimamente digna em direção à sub-vida.