terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A Expressão "Cabides" de Emprego

Em certo espaço cibernético de discussão um jovem referiu-se às antigas estatais, antes de serem privatizadas, como verdadeiros "cabides" de emprego. Por um ou mais minutos pensei sobre quem, quando e com que objetivo cunhou essa expressão. Não tenho as respostas, sei apenas que certos veículos de comunicação, refletores do caráter profundamente antisocial da elite econômica brasileira, obtiveram muito êxito em caluniar e arruinar as imagens das ex-empresas estatais, e de seus ex-funcionários. No próximo parágrafo, transcrevo (com algumas modificações no texto original) o que escrevi ao jovem em questão. Atentem para o fato de que escrevo como se fosse algum tecnocrata investidor em bolsa de valores, ou a serviço de pessoas e empresas que o fazem.

"Eu também não acredito em nenhuma empresa gerida pelo Estado tal como escreveu o . Vejam só o que aconteceu com as norte-americanas Lehman Brothers e AIG, por exemplo. A primeira era um banco de investimentos e a segunda um cia seguradora, ambas privadas, e muito eficientes, muito eficientes mesmo, tanto é assim que ..." (breve interregno)

"... Pô, peraí ... estou pesquisando notícias recentes no Google sobre essas duas empresas e.... Ah, não, não acredito, ambas foram estatizadas, é isso?! Não pode ser, pois somente empresas privadas é que são as bambambã e de jeito nenhum correm o risco de fazer com que um país entre em colapso. O problema é o maldito Leviatã com seus "cabides" de emprego. O ideal é que tudo fosse privatizado e funcionasse na base de softwares e hardwares, com pouquíssimos engenheiros operando tudo."

"Não sei ao certo quem nesse mundo muito eficiente e sem "cabides" de emprego seriam os compradores dos produtos e serviços, nem com que recursos. Bom, mas isso não importa, né? Pois o mais importante é a minimização dos custos e maximização dos lucros para que eu possa ganhar muito dinheiro investindo em ações de empresas eficientíssimas da bolsa de valores."

"Talvez alguém esteja me perguntando: E os trabalhadores, que seria deles? Ora, talvez os softwares e hardwares não fossem capazes de se exporem ao sol sem filtro solar e fazer malabarismos nos faróis e, assim sendo, eles poderiam muito bem virar malabaristas ganhando muuuuita grana, muita grana mesmo, tipo um quarto do salário mínimo atual (dezembro 2008) por mês."

"Adaptem-se os trabalhadores a essa nova e inexorável realidade, pois, conforme teria dito Margareth Thatcher logo no início da era neoliberal: "There is not alternative" . Ou seja, o Único Caminho Possível é o do aprofundamento do downsizing e do neoliberalismo por todos os cantos do mundo onde esse conceito administrativo e essa ideologia, irmãos siameses, ainda não chegaram."