Há uma ausência de sentimento e, ao mesmo tempo, uma presença de alguns sentimentos que prevalecem na esmagadora maioria da elite econômica que dirige este país, e cada país do mundo, especialmente a que mais condições possui de por fim à miséria e até mesmo à pobreza dentro e fora de suas fronteiras. Uma prova inconteste dessa tese são os imensos recursos existentes concentrados ou canalizados para gerar mais e mais renda e riqueza para poucos. Lembremo-nos, ainda, de que parte destes recursos concentrados são usados na indústria armamentista para ceifar e aleijar vidas. Que ausência de sentimento e que sentimentos seriam esses?
A ausência de sentimento a que me refiro chama-se indiferença.
Emerge, então, como consequência dessa indiferença e desse desprezo pelos citados: a exclusão dos seres da espécie Homo sapiens que não estão e/ou não têm potencialidade para estar cliente, empreendedor ou funcionário altamente especializado, bem como de tudo que não contribua de algum modo para a satisfação dos desejos da espécie humana integrante da elite econômica nacional e transnacional, e igualmente da chamadas classes médias pretensamente esclarecidas e fortemente identificadas com a elite citada.
No entanto, por vezes a indiferença, o desprezo e a exclusão não são o suficiente para essa elite e as classes médias que tanto a bajulam contentarem-se. Surge então até mesmo o ódio pelos Homo sapiens considerados inúteis citados. E na esteira deste “sentimento” brotam, como gremlins regados com água (para quem assistiu ao filme de Steven Spielberg), os atos de violência, muita violência por parte dessa elite e de suas forças armadas contra esses mesmos seres ignóbeis. E esta violência não se restringe ao atentado contra a vida - humana ou não - e nem mesmo à violência física. Abarca muito mais, em forma de atos e atitutes cotidianas que até mesmo nós, opositores da ideologia da exclusão e da destruição do ecossistema, cometemos sem perceber, ou mesmo tendo percebido, mas pouco nos importando com o fato em razão do vazio de sentimento mais presente em nosso mundo e citado logo no início: a indiferença.
Para fechar com chave de títulos promissores ($ Plim Plim) do mercado financeiro, tenho a impressão - que cada dia parece transformar-se em uma convicção - de que caminhamos para uma barbárie inimaginável, surgindo como advertência e uma das poucas alternativas, senão a única, a mensagem de um dos títulos das obras de Istvan Meszaros: [aquilo que todo neoliberal, anarco-capitalista e falso social-democrata odeia] ou barbárie.
Observação: este artigo é uma adaptação de um "post" que escrevi em uma comunidade cibernética de discussão, o qual foi sendo lapidado aos poucos.
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