Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Mais uma estratégia

Saiu em um veículo de comunicação neste domingo, dia 05 de julho, que o deputado federal Regis de Oliveira, de uma sigla pertencente a partido liberal-conservador, propôs a desconstitucionalização de certas matérias hoje existentes na Constituição brasileira, de forma tal que dos 250 atuais artigos ela passaria a ter apenas 61.

A proposta do referido deputado teve de ser submetida ao atual relator da Comissão de Constituição e Justiça, deputado Sérgio Barradas Carneiro, de partido pretensamente trabalhista, que optou por manter alguns poucos artigos a mais, tornando-a menos radical (frise-se bem: “menos radical”) , mas mantendo a proposta de enxugamento da Constituição, que passaria a conter apenas 75 artigos.

Pela proposta, seriam retirados da atual Constituição 20 temas, os quais passariam a ser regidos por leis infraconstitucionais, muito mais fáceis de serem modificadas ao bel-prazer do presidente da República e dos deputados federais e senadores a serviço de poderosos grupos econômicos, pois exigem para sua aprovação a chamada maioria simples, diferentemente de modificações constitucionais que requerem dois terços dos integrantes de cada casa (da Câmara e do Senado).

Que matérias e que artigos a elite econômica nacional em associação com as elites de outros países pretendem desconstitucionalizar, a fim de prosseguirem sua marcha ao aprofundamento das reformas neoliberais no Brasil?

Ainda não temos essa resposta. Mas os fatos e algum conhecimento de instintos humanos prevalecentes no mundo neoliberal nos fazem crer que áreas como as da concessão de aposentadorias por idade e tempo de serviço combinados, as de aposentadoria por invalidez, as da assistência social (o LOAS, por exemplo), e as que regem as relações trabalhistas entre funcionários públicos e os entes aos quais estão subordinados estarão sujeitas a serem alteradas com muito mais facilidade do que atualmente. O mesmo poderá acontecer com os chamados direitos trabalhistas dos que labutam na iniciativa privada.

Há tempos as elites referidas clamam raivosamente e se utilizam de poderosos veículos de comunicação para apregoar o aprofundamento das reformas nas áreas citadas, entre outras. E não há dúvida de que partidos como o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), o Democratas, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), PP (Partido Progressista), o PR (Partido da República) e até mesmo alguns partidos ou deputados que outrora se opunham ao neoliberalismo, votarão favoravelmente a desconstitucionalização das matérias mencionadas.

A passagem do tempo e o retorno dos governantes e partidos mais radicais no aprofundamento do neoliberalismo no Brasil mostrarão que meus pressentimentos em relação às estratégias da elite econômica estavam certos.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

O império da indiferença

Há uma ausência de sentimento e, ao mesmo tempo, uma presença de sentimentos que prevalecem na esmagadora maioria da elite econômica que dirige este país, e cada país do mundo, especialmente os que mais condições possuem de por fim à miséria e à fome, e muito provavelmente até mesmo à pobreza, se condiderarmos os imensos recursos existentes concentrados ou canalizados para gerar mais e mais renda e riqueza para poucos, quando estes não usados para ceifar e aleijar vidas. Que ausência de sentimento e que sentimentos seriam esses?

A ausência de sentimento a que me refiro chama-se indiferença. Não sei se a indiferença é mesmo uma ausência de sentimento em relação a alguém ou a algo, ou se se confunde com o desprezo, o profundo desprezo por algo ou alguém. Talvez quem melhor poderia dissertar sobre essa questão seriam alguns estudiosos que estudam a psique humana: psicanalistas, psicólogos, e psiquiatras. Talvez filósofos e até poetas também poderiam fazê-lo. Como não tenho formação em nenhuma das três disciplinas que investigam a psique humana, nem sequer sou filósofo ou poeta, arrisco dizer que a indiferença é uma ausência de sentimento. o profundo desprezo talvez possa enquadrar-se entre os "sentimentos", mais precisamente entre os que se confundem com a raiva direcionada a algo ou alguém. Mas desprezo e indiferença direcionados a quê ou a quem? À vida e à dignidade de algum outro ser, da mesma espécie, ou a outros seres animais e vegetais, além do próprio ecossistema.

Emergem, então, duas consequências dessa indiferença e desse desprezo pelos citados: a exclusão. A exclusão de quê ou de quem? Dos lixos ambulantes não-recicláveis, quais sejam, seres da espécie Homo sapiens que não estão e/ou não têm potencialidade para estar cliente, empreendedor ou funcionário altamente especializado, bem como de tudo que não contribua de algum modo para a maximização da satisfação dos desejos da espécie humana integrante da elite econômica nacional e transnacional.

No entanto, por vezes a indiferença, o desprezo e a exclusão não são o suficiente para essa elite contentar-se. Surge então até mesmo o ódio pelos Homo sapiens considerados inúteis citados. E desse caldo todo brotam, como gremlins regados com água (para quem assistiu ao filme de Steven Spielberg), os atos de violência, muita violência por parte dessa elite e de suas forças armadas. E esta violência não se restringe ao atentado contra a vida - humana ou não - e nem mesmo à violência física. Abarca muito mais, em forma de atos e atitutes que mesmo nós, opositores da ideologia da exclusão e da destruição do ecossistema, cometemos sem perceber, ou mesmo percebendo, em nosso dia-a-dia, seja contra nosso próximo, seja contra o ecossistema.

Para fechar com chave de títulos promissores ($ Plin Plin) do mercado financeiro, tenho a impressão, que cada dia parece transformar-se em uma convicção, de que caminhamos para uma barbárie inimaginável.

Por fim, e agora finalizando mesmo, surge um dos títulos das obras de Istvan Meszaros: [aquilo que todo neoliberal e anarco-capitalista, além de alguns falsos social-democratas odeiam] ou barbárie.


Observação: este artigo é uma adaptação de um "post" que escrevi em uma comunidade cibernética de discussão, o qual foi sendo lapidado aos poucos.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Reajuste de preços de serviços essenciais

A AES-Eletropaulo, empresa que foi privatizada sob os governos de Fernando Henrique Cardoso (na presidência da República), e Mário Covas (como governador do estado de São Paulo), foi autorizada pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), orgão governamental fiscalizador criado durante a gestão de FHC, a reajustar as tarifas de fornecimento de energia elétrica em 13% para algumas das regiões onde presta serviços, entre as quais consta a cidade de São Paulo.

Aqui cabe lembrar que, além das acusações as mais diversas sobre o processo de privatização em si, dessa e de outras empresas de serviços essenciais, houve muitas demissões de funcionários da ex-estatal (li em um jornal, da época que essas chegaram a casa do milhar) assim que ela foi adquirida por (entre outras) uma empresa norte-americana. Ressalte-se também o apoio maciço que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Economico e Social), banco pertencente ao governo federal, deu aos que adquiriram a maior parte das ações dessa empresa de serviço essencial.

Atente para o fato de que uma das empresas que recorreu ao BNDES para adquirir a maior parte das ações da eletropaulo não era nenhuma empresa brasileira de médio ou grande porte necessitada de capital - mesmo que tivesse sido, eu teria sido contra a privatização da eletropaulo, destaque-se. Tratava-se de uma transnacional do país mais rico (e imperialista) do mundo.

Saibam ainda que os partidos dominantes no governo FHC (PSDB, PFL - atual Democratas, PMDB e outros) aprovaram a criação, na época, de umas tais agências reguladoras, entre as quais constam a ANEEL, para fiscalizar o cumprimento dos contratos de longo prazo, os quais foram significativamente favoráveis às empresas que adquiriram as ações das ex-empresas estatais de serviços essenciais.

E para finalizar, pesquisem sobre o que fez com as ações a empresa norte-americana que adquiriu a maior parte delas no leilão de privatização da eletropaulo, após a passagem de um certo tempo, e quem lhe subsidiou com empréstimos enquanto detinha a maioria das ações da ex-empresa estatal paulista.

Sábado, 20 de Junho de 2009

Um sistema de estelionato e espoliação

"As diversas formas de "empreendedorismo", "trabalho voluntário" e "trabalho atípico" oscilam frequentemente entre a intensificação do trabalho e sua autoexploração. Dormem sonhando com o novo "self-made man" e acordam com o pesadelo do desemprego. Empolgam-se pela falácia do empresário-de-si-mesmo, mas esbarram cada vez mais na ladeira da precarização." (Ricardo Antunes em seu artigo "A Erosão do Trabalho")

"Algo cheirava podre quando eu me tornei o que eles chamam de 'equipe mundial algumas coisas já começaram a aparecer. Nesse ponto você passa a ter treinamentos onde as coisas vão ficando mais claras. Você começa a saber que o sistema sobrevive às custas do dinheiro dos distribuidores, se eles vendem ou não o produto é um mero detalhe, problema deles, o importante é que comprem, estoquem, joguem no lixo se quiser. Nas reuniões cansei de ouvir a liderança dizer que 'nesse evento temos que convencer as pessoas a fecharem supervisão...' (que corresponde a comprar R$9000,00 em produtos) '...pois isso nos garantirá quase R$1000 de comissões', ou então 'precisamos convecê-los a trazer pelos menos 5 pessoas no próximo evento" ou ainda "temos que mexer com o sonho das pessoas, desse jeito a gente os convence a vender até a mãe'." (Denúncia de ex-participante de um sistema de pirâmide existente no site do Reclame Aqui, cujo link consta no final de meu texto)

Muitos ou pelo menos alguns de nós já fomos assediados por alguém que, aproveitando-se de nossa condição de desempregado(a) ou subempregado(a) e sem perspectiva de inclusão no mercado formal de trabalho, alimentou-nos com alguma esperança de emprego ou renda estável mediante atividade ligada a vendas e network, mas que na verdade não passava de sistema de pirâmide. Ou ainda, de alguma proposta de emprego aparentemente muito promissora, mas que consistia em um esquema fraudulento de seleção e recolocação de pessoal feito por pessoas e empresas inidôneas.

É verdade que pelo menos uma parte dos que se associam a esses sistemas (principalmente dos que são enredados por sistemas de pirâmide), não são pessoas desempregadas e sem recursos, muitas das quais com a auto-estima fortemente golpeada e já na condição de dependentes de entes queridos, mas sim pessoas relativamente situadas no sistema capitalista, e movidas por muita ambição. Mas o convite à reflexão que deixo aqui é para que pensemos nesses sistemas como produtos do capitalismo sob a égide neoliberal a vitimar os que dependem do trabalho para a subsistência. Ao final deste texto constam links de exemplos a serem lidos, apesar de que por vezes a compreensão do modus operandi dos estelionatários não ser facilmente compreensível aos comuns entre os mortais - entre os quais eu me incluo.

Com a intensificação da robotização e informatização de sistemas produtivos e de prestação de serviços, além dos avanços nas tecnologias de comunicação e de transporte, todos eles ocorrendo concomitantemente ao ressurgimento do liberalismo real (o neoliberalismo), por volta do final dos anos 1970, milhões de seres humanos dependentes do trabalho para a subsistência se tornam mais descartáveis do que já o eram. Sob essa condição, estes se veem obrigados a submeter-se a trabalhos insalubres e pessimamente remunerados, ainda não abarcados pelas tecnologias inutilizadoras do trabalho humano.

Se antes da implementação e do aprofundamento do liberalismo real havia o mecanismo da inflação que subtraía parcela significativa da renda dos mais pobres, a partir da adoção desse sistema pelos mais diversos países iniciou-se um aumento exponencial do desemprego e da sub-humanização das condições de trabalho dos que dele dependem. De igual modo, passaram a proliferar os assédios mais diversos, por parte de estelionatários, cujos alvos eram pessoas desempregadas que ainda possuíam alguma renda, as quais eram oferecidos algum emprego ou empreendimento promissor pelos quais deveriam em um primeiro momento pagar, mas que, em um segundo momento, lhes trariam a tão sonhada renda estável acompanhada de dignidade.

Ledo engano, pois grande parte desses falsos empregos ou autoempregos nada mais eram do que puro estelionato, mal combatidos ou até deixados impunes pela maior parte dos governos e instituições existentes no sistema liberal real (o neoliberalismo).



Por motivo de segurança, coloquei os links abaixo sem o direcionamento para os sites onde se encontram o texto de Ricardo Antunes e os de denúncias de diversas fraudes mencionadas no artigo acima. Quem quiser lê-los deve copiá-los e colá-los na barra de navegação de seu navegador.

A Erosão do Trabalho
http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=21881

Denúncia de Sistema de Pirâmide do site Reclame Aqui (1)
http://www.reclameaqui.com.br/106383/herbalife/perca-um-pouco-de-tempo-mas-por-favor-leia

Denúncia de Sistema de Pirâmide do Site Reclame Aqui(2)
http://www.reclameaqui.com.br/142079/stc-sistema-de-trabalho-em-casa-com-mala-direta-de-correspon/stc-e-uma-farsa-piramide

Denúncia contra empresa de recolocação publicada Pela revista Você S/A
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/04/252310.shtml

Denúncia contra empresas de recolocação publicada Pelo site Jurídico Brasil
http://www.juridicobrasil.com.br/portal/index.php?tipo=2&cod=2&id_noticia=245785

Domingo, 14 de Junho de 2009

Os Trolls estão Soltos

Não é por nada, não, mas quem visitar alguma das comunidades do Orkut que de alguma forma se opõem ao sistema de exclusão e de destruição do ecossistema predominantes, perceberá a ação de Trolls (plural de Troll) a serviço desse mesmo sistema. Essa ação consiste em sabotar tais comunidades, pois imaginam que seus membros ofereçam algum risco a seus lucros no mundo real. Para conhecer melhor a definição de Troll, faça uma visita à página da Wikipedia e digite Troll no retângulo de busca. Uma das estratégias de um Troll é desqualificar o seu oponente de modo a conseguir deixá-lo com raiva e com sua auto-estima atingida. Eu mesmo já fui vítima dessas estratégias-Troll, parte das vezes executadas até mesmo por perfis aparentemente verdadeiros, em sites de relacionamento e discussão (o Orkut é um exemplo desses sites).

Ora, se eu não sei nada de X, nem de Y, nem de Z, supondo que essas letras abarquem todos os conhecimentos essenciais à compreensão mínima do si mesmo, da vida e do sistema ao qual estou subordinado, logo sou um insignificante para ele próprio, Troll. Assim sendo, por que esses Trolls se incomodam tanto comigo e com quem pensa igual ou semelhantemente a mim, hein? Somos apenas poucas centenas de opositores do neoliberalismo em uma ou outra comunidade de discussão virtual na qual expressamos nossa oposição a esse sistema. Além disso, esses Trolls nos veem como incapazes de contra-argumentar suas teses científicas.

Ora, se defendemos nossas teses e contra-argumentamos as deles, Trolls, como "crianças de 5 anos", qual o perigo real que oferecemos para os ganhos desses doutores no mundo das finanças por vezes escondidos em perfis falsos? Qual o perigo real que oferecemos para os Trolls empreendedores, que trabaiam pra carai em suas empresas, e que não têm tempo sequer para escreverem no Orkut? Ops ... , peraí ...será que não têm mesmo? Lógico que têm, e bastante, hein. Sim, pois já vi mais de um que se dizia empresário ou consultor do mercado financeiro dispor de período significativo de tempo para combater "os grandes culpados de eles não ganharem a quantia de dinheiro que poderiam estar ganhando caso não existíssemos".

Chamem o Dr. Freud, pois há crianças imaginando-se adultas e dizendo que as crianças são os que se opõem a sua cartilha do Caminho Único, nunca elas próprias.

Os Trolls devem ser combatidos como Trolls. Os fanáticos, não somente por um time de futebol, mas também pelo site Mises.org (site preferido de muitos liberais e anarco-capitalistas), idem (mesma coisa).

Não se deixem enredar, companheiros de oposição ao neoliberalismo e ao anarco-capitalismo. Se interromperem o fornecimento de energia para os Trolls, eles cairão fora e só retornarão a esses espaços de discussão virtual quando houver novo sinal de vida. Deixemos eles pensar que arrebentaram com seus inimigos reais, com a razão de ser de eles não serem melhores do que são. Cedo ou tarde a realidade vem e lhes dá uma lição. E esta lição consiste na própria realidade de que não há pior inimigo do sistema que tanto idolatram do que eles mesmos, e não os inimigos imaginários que suas respectivas psiques criaram para justificar seus ganhos aquém de suas expectativas.

Contra o Voto em Lista Fechada

O sistema de lista fechada, tal qual se pretende aprovar no Congresso Nacional, exclui a possibilidade de os próprios eleitores definirem, através de seus votos, a ordem da lista de preferência dos candidatos do partido aos cargos legislativos (vereador, deputado estadual e deputado federal). Quem passará a definir essa ordem, no caso de essa proposta ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, será o partido.

Um sistema eleitoral tal qual o que se pretende aprovar na Câmara e no Senado até poderia dar certo se houvesse participação de grande parte da população em seus partidos de preferência, e se dentro desses partidos houvesse de fato a chamada democracia interna. Contudo, não há essa participação, pelo menos de acordo com as informações que tenho, em nenhum partido brasileiro.

Aliás, sabemos que há forte repulsa, por parte de muitos brasileiros e brasileiras, por políticos atualmente na situação (no poder) ou na oposição, e forte desinteresse e até desprezo pelos partidos existentes. Esse comportamento a meu ver deveria ser direcionado tão-somente aos membros do poder executivo e legislativo que, uma vez eleitos, frustrassem e traíssem as expectativas e os compromissos firmados com aqueles que os elegeram, e não de forma generalizada como ocorre no Brasil.

Essa frustração e revolta generalizada contra todos os candidatos e eleitos a cargos executivos e legislativos só tende a concentrar o poder nas mãos de algum chefe do poder executivo (presidente, primeiro-ministro, ou outro cargo correspondente) que pode até ser alguém de fato preocupado com os mais pobres, mas pode também estar a serviço da elite econômica nacional e transnacional.

Principalmente pela possibilidade de que esse chefe do poder executivo esteja a serviço dos últimos citados na parte final do post e parágrafo anterior, acredito que o melhor seria o fortalecimento e o aperfeiçoamento do sistema eleitoral brasileiro, tornando-o, de fato, mais representativo, e não o que ele é atualmente nem em que muitos políticos pretendem transformá-lo após a possível aprovação desse projeto de lei.

Sábado, 17 de Janeiro de 2009

O real significado do "impostômetro"

Há um painel eletrônico no centro da cidade de São Paulo com diversas casas e números mutantes, o qual exibe uma estimativa do quanto os diversos governos (federal, estaduais e municipais) arrecadaram com a cobrança de impostos até aquele momento, e cujo principal objetivo (assim o dizem) é instigar os contribuintes a exigir do Estado serviços de melhor qualidade com menor cobrança de tributos. Chamam este painel de "impostômetro".

Por que não se coloca, ao lado do mencionado painel, um outro no qual conste o quanto desse total retornou, em termos percentuais, aos membros da elite econômica nacional e transnacional? E por que não se coloca, ao lado deste, um outro com uma estimativa dos percentuais de renda e de riqueza nacionais concentrados nas mãos dessa mesma elite enraivecida contra a carga tributária brasileira? Com estes dois últimos painéis, quem os compreendesse certamente concluiria que a injustiça tributária brasileira consiste na maior tributação (em termos percentuais) dos mais pobres, e não dos tributos cobrados dos mais ricos.

O primeiro painel mencionado (o do impostômetro), com seus números que mudam como os de máquinas caça-níqueis, pouco diz aos mais pobres e marginalizados deste País; ou ainda (e o mais provável): serve apenas como instrumento de manipulação dos mais pobres pelos mais ricos com o intuito de direcionar as frustrações dos primeiros contra o Estado. Mas contra qual Estado? Contra o Estado que remunera os títulos da dívida pública em poder dos segundos citados com uma das taxas de juros mais altas do mundo? Contra o Estado que se coloca à disposição dos abastados para emprestar-lhes dinheiro (através do BNDES e outros bancos públicos) a juros subsidiados? Contra o Estado que deve investir fortemente (ainda de acordo com os endinheirados citados) em obras de infraestrutura contratando, para isso, as mesmas grandes empresas construtoras das quais os mesmos endinheirados são acionistas para que essa mesma infraestrutura seja privatizada e tenha suas tarifas reajustadas ao bel-prazer destes últimos?

Não, não é contra este Estado que a elite econômica quer que os mais pobres se indignem. É contra o Estado que possui uma previdência pública regida por sistema de partição, e que contribui, apesar de algumas injustiças em seu interior (o chamado fator previdenciário, só para citar um exemplo), para que milhões de aposentados e pensionistas recebam os seus proventos após longos anos de contribuição ao sistema. A este sistema de previdência a elite focada quer obstinadamente privatizar, transformando-a em um sistema de capitalização.

Da mesma forma, a elite referida se posiciona raivosa e indignadamente contra o setor do Estado representado pelos funcionários públicos, principalmente contra os que exercem cargos públicos de nivel fundamental, médio e parte dos de nível superior que não se enquadram nas chamadas "carreiras típicas de Estado" - as carreiras das forças armadas, assim como as de juiz, promotor público, auditor fiscal, delegados em geral, diplomata, e outros. Aos três grupos de funcionários citados, a elite em foco se enraivece quando seus salários são reajustados, e igualmente quando são publicados editais de concursos públicos, pois defende que sejam demitidos e substituídos por funcionários terceirizados, tal qual aconteceu com grande parte dos funcionários das ex-empresas estatais de serviços essenciais e/ou estratégicas privatizados.

Por fim, mas ainda não enquadrando todos os setores que a elite econômica quer reduzir dramaticamente ou simplesmente extinguir, é também contra o Estado que paga um salário mínimo a idosos (a partir dos 60 anos) e deficientes muito pobres, e igualmente os direcionados ao Bolsa-Família, que a elite econômica brasileira e transnacional quer se voltar, não obstante ser o Brasil um dos países mais destacados no quesito concentração da renda e da riqueza.

Utilizando-se de poderosos veículos de comunicação, e de instrumentos maniqueístas como o painel do impostômetro, a elite brasileira tem obtido êxito em arregimentar mais e mais incautos que crêem em suas inverdades e meias-verdades. Assim procedendo, prossegue sua marcha para o aprofundamento das reformas neoliberais no Brasil, e a consequente barbárie que dela poderá advir.

Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

A Expressão "Cabides" de Emprego

Em certo espaço cibernético de discussão um jovem referiu-se às antigas estatais, antes de serem privatizadas, como verdadeiros "cabides" de emprego. Por um ou mais minutos pensei sobre quem, quando e com que objetivo cunhou essa expressão. Não tenho as respostas, sei apenas que certos veículos de comunicação, refletores do caráter profundamente antisocial da elite econômica brasileira, obtiveram muito êxito em caluniar e arruinar as imagens das ex-empresas estatais, e de seus ex-funcionários. No próximo parágrafo, transcrevo (com algumas modificações no texto original) o que escrevi ao jovem em questão. Atentem para o fato de que escrevo como se fosse algum tecnocrata investidor em bolsa de valores, ou a serviço de pessoas e empresas que o fazem.

"Eu também não acredito em nenhuma empresa gerida pelo Estado tal como escreveu o . Vejam só o que aconteceu com as norte-americanas Lehman Brothers e AIG, por exemplo. A primeira era um banco de investimentos e a segunda um cia seguradora, ambas privadas, e muito eficientes, muito eficientes mesmo, tanto é assim que ..." (breve interregno)

"... Pô, peraí ... estou pesquisando notícias recentes no Google sobre essas duas empresas e.... Ah, não, não acredito, ambas foram estatizadas, é isso?! Não pode ser, pois somente empresas privadas é que são as bambambã e de jeito nenhum correm o risco de fazer com que um país entre em colapso. O problema é o maldito Leviatã com seus "cabides" de emprego. O ideal é que tudo fosse privatizado e funcionasse na base de softwares e hardwares, com pouquíssimos engenheiros operando tudo."

"Não sei ao certo quem nesse mundo muito eficiente e sem "cabides" de emprego seriam os compradores dos produtos e serviços, nem com que recursos. Bom, mas isso não importa, né? Pois o mais importante é a minimização dos custos e maximização dos lucros para que eu possa ganhar muito dinheiro investindo em ações de empresas eficientíssimas da bolsa de valores."

"Talvez alguém esteja me perguntando: E os trabalhadores, que seria deles? Ora, talvez os softwares e hardwares não fossem capazes de se exporem ao sol sem filtro solar e fazer malabarismos nos faróis e, assim sendo, eles poderiam muito bem virar malabaristas ganhando muuuuita grana, muita grana mesmo, tipo um quarto do salário mínimo atual (dezembro 2008) por mês."

"Adaptem-se os trabalhadores a essa nova e inexorável realidade, pois, conforme teria dito Margareth Thatcher logo no início da era neoliberal: "There is not alternative" . Ou seja, o Único Caminho Possível é o da introdução e aprofundamento da maximização do downsizing e do neoliberalismo por todos os cantos do mundo onde essas duas ideologias ainda não chegaram."

Domingo, 7 de Setembro de 2008

Minha Ideologia

Pertenço ao grupo de socialistas que acredita na possibilidade (frise-se bem este vocábulo, pois uma possibilidade é apenas uma possibilidade) de (res)surgimento do verdadeiro socialismo depois de um período de barbárie em conseqüência do desprezo pela vida e pela dignidade humana por parte do sistema (neo)liberal, que ainda subsiste, apesar do anúncio de seu fim.

Não consigo imaginar como seria essa barbárie, pois trata-se muito mais de uma intuição compartilhada com outros críticos do sistema do que de um constituinte racional. Se houver um amanhã após essa barbárie (esta para mim, é quase certa), talvez haja a possibilidade da construção de um novo mundo. Estou entre os que crêem na destruição do sistema capitalista por si mesmo, crença desistimulada por um outro grupo de socialistas que prefere crer no (res)surgimento do socialismo somente a partir de um processo revolucionário de grande escala.

Após a barbárie a que me refiro, poderá ocorrer também de nada advir além de um retorno à Idade Antiga, ou mesmo à Pré-História (vide divisões da História Geral), coisa mais facilmente imaginável para autores e diretores de filmes de ficção.

Sábado, 9 de Agosto de 2008

Cronometrados até Quando Vão ao Banheiro

Deveria haver um vaso sanitário no próprio assento usados pelos funcionários de call center e telemarketing, setores que cresceram bastante no Brasil desde o triunfo do sistema capitalista de vertente neoliberal. Assim, os que trabalham nesses setores não precisariam "perder tempo" deslocando-se ao banheiro e, como consequência, obteriam mais clientes e mais resultados ($ pliiin, eis o barulho da caixa registradora) para os acionistas das empresas desses setores. Afinal, sob a ideologia neoliberal prevalece o seguinte: aos que dependem do trabalho para a subsistência, aplica-se o downsizing e a filosofia do copinho descartável de café após ter sido usado; diferentemente desse primeiro grupo, para o deus cliente reserva-se a adoração, principalmente quando este estiver propenso a adquirir um produto, ou possuir características de que tem condições de adquiri-lo.

Com a instituição do método revolucionário referido no parágrafo anterior, haveria melhores resultados de vendas de produtos e serviços oferecidos por uma empresa. Como consequência, observar-se-ia uma possível ultrapassagem das metas estipuladas para cada operador(a). Essa ultrapassagem exigiria uma remuneração maior a cada operador(a) que se destacasse nas vendas, e essa remuneração seria proporcional aos resultados que obteve para a empresa. Pois, convenhamos, fazer as necessidades fisiológicas no próprio local onde exerce sua função exigiria um "plus" ($ pliiin) e tanto para o incentivo a(o) operador(a) e a continuidade desse novo método de trabalho. Ah, claro, os funcionários teriam de ser colocados dentro de cabines fechadas e com ar condicionado, nas quais houvesse jatos desodorizadores automaticamente sempre que desse vazão a suas necessidades fisiológicas. Afinal, com cheiro ruim por perto o resultado das vendas no final de cada mês poderia ser muito baixo, e isso seria ruim para os ganhos dos acionistas.

Essa proposta tem sua razão de ser, pois não são poucas as empresas desse novo empreendimento cujos chefes e gerentes cronometram, sem serem notados, ou mesmo descaradamente, o tempo de ida, permanência e volta somados dos funcionários "menos resistentes a dar vazão a suas necessidades fisiológicas", algo que se constitui em flagrante assédio moral e atenta contra a dignidade humana.

Este artigo ainda não foi concluído. Em havendo tempo disponível e criatividade de minha parte para terminá-lo, pretendo fazê-lo. Caso falte um desses dois itens, ficará como está.

Domingo, 1 de Junho de 2008

O Conceito de Liberdade e o Homo Sapiens "demens"

Não foi o Homo sapiens demens (se não me engano, este último termo foi acrescentado ao nome científico do ser humano por Leonardo Boff) que criou a vida que se manifesta sobre o planeta Terra das mais variadas formas. Fauna, flora e ecossistema aqui existiam independentemente de este ser ter se feito uma espécie de senhor de quase tudo o que existe neste planeta. No entanto, apesar dessa constatação, este ser passou a transformar quase tudo a seu bel-prazer. conforme os ditames de uma certa ideologia que se pretende o Único Caminho, a Única Verdade, e a Única possibilidade de subsistência da vida no planeta Terra. E isso apesar de o caráter dessa ideologia ser flagrantemente suicida.

Em certo momento, este ser demens instituiu a propriedade e cercou-a, arregimentando outros para defendê-la. Ainda não satisfeito, apoderou-se de outras que não lhe pertenciam. Mas nem todos da mesma espécie conseguiram apossar-se e ser bem sucedidos na defesa e na administração de suas propriedades, sendo, portanto, condenados ao trabalho escravo, ao trabalho na condição de servo ou, quando do predomínio do sistema capitalista, na de proletário. Atualmente, muitos nem proletários mais o são: o sistema os transformou em
lixo ambulante não-reciclável, leia-se lixo orgânico putrefato e que não serve mais para nada.

Pois é, caro leitor, a liberdade defendida por liberais e anarco-capitalistas (libertários de direita) consiste na liberdade para apropriar-se (sim, apropriar-se, pois nada do que existe foi criado por eles, ou criado a partir do nada) e tornar-se o "legítimo proprietário" de terras e bens os mais diversos, reais e virtuais, sem que o maldito Leviatã, o Estado, se aposse de seus bens ou sequer lhes cobre um imposto sobre seu valor ou rendimento. A este ser "ladrão", monstruoso e maldito (o Estado) só é dado o direito de tributar-lhes a renda e a riqueza quando e se unicamente para serem direcionadas à defesa de suas propriedades e às forças armadas coercitivas (neste caso sim, eles aceitam a coerção) para que contratos firmados sejam cumpridos à risca, independentemente do que signifiquem em termos de preservação da vida e da dignidade humanas, e igualmente de outras espécies, animais ou vegetais.

Os Homo sapiens demens se apoderaram do que não lhes pertencia e não criaram nada a partir do nada, mas mesmo assim arrogaram para si o direito de possuir propriedades, bens e patentes sobre o que não lhes pertencia nem lhes pertence. E a liberdade raivosamente reivindicada por esses Homo sapiens demens, liberais e anarco-capitalistas, tal qual já foi exposto no parágrafo anterior, consiste em proteger seus bens e a inviolabilidade dos contratos por eles firmados com outros de mesma condição social e econômica, ou de condição inferior e que dependem do trabalho para sua própria subsistência e de seus entes queridos. E não apenas para que o ignóbil Leviatã os proteja e a suas riquezas somente destes últimos, mas também do próprio e maldito Leviatã (o Estado) que, de súbito, poderia vir a ser conduzido por alguma espécime Homo populista que quisesse tirar-lhes alguma coisinha a mais do que apenas e tão-somente o necessário para as funções
típicas de um Estado mínimo já descritas.

Eis um resumo a grosso modo porém verdadeiro do conceito de liberdade dos seguidores de Ludwig von Mises, Friedrich August von Hayek, Murray Rothbard, Milton Friedman, Ayn Rand e outros Homo sapiens demens.

Domingo, 25 de Maio de 2008

Auschwitz sem Cercas

Estão livres, mas estão aprisionados.

Estão livres, mas não para se alimentarem adequadamente quando estiverem com fome.

Estão livres, mas correm risco eminente de constarem entre as vítimas de todo tipo de violência, e de serem assassinados, pois não possuem a moeda dos incluídos para comprar, financiar ou alugar uma habitação na qual se sintam (e estejam de fato) protegidos.

Estão livres, mas não são nem serão atendidos por médicos muito bons em igualmente muito bons hospitais. Estes são privilégios dos incluídos no sistema que exclui aos montes.

Estão livres, mas somente terão água tratada para beber e hieginizarem a si mesmos e suas residências (se habitarem em uma digna do nome) se puderem pagar por esse serviço e pelo de coleta de esgotos, ambos privatizados sob o sistema neoliberal.

Estão livres, mas não terão educação na quantidade e qualidade necessárias para uma melhor compreensão do mundo, nem para que esta os transforme em "capital humano", pois esta condição será privilégio de poucos sob o sistema cujas características mais marcantes são a marginalização e inutilização da maioria.

Estão livres, mas não para viver, pois para viver é necessário pagar, e para pagar é necessário ter renda, e para ter renda é necessário estar incluído, e para estar incluído é necessário ser parte da elite, e para fazer parte desta é necessário estar e/ou ter potencialidade para estar cliente, empreendedor ou funcionário altamente especializado (1).

Vêm a minha imaginação os rostos arrasados e os corpos esquálidos de judeus, ciganos, comunistas, socialistas, deficientes mentais, homossexuais e tantos outros, encarcerados e assassinados nos campos de extermínio nazistas; e comparo estes rostos com os dos miseráveis brasileiros (entre os quais constam os moradores e moradoras de rua), os quais estão livres, mas, ao mesmo tempo, estão aprisionados.

(1) Esta frase (e tese) consta do texto de minha autoria intitulado A inutilização do ser e o endeusamento do cliente e do capital , o qual consta neste blogue, e se constitui, a meu ver, em um elemento essencial de reflexão sobre o sistema capitalista neoliberal.

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Eles Querem Demitir ... e muito - PLP 248/1998

Há um Projeto de Lei Complementar no Congresso Nacional, o PLP 248/1998, que tem por objetivo permitir a demissão de funcionários públicos por "insuficiência de desempenho". Se for aprovado da forma como se encontra, abrir-se-á um caminho para que haja demissões por perseguições políticas, por critérios subjetivos de avaliação de desempenho, por conflitos de personalidade (muitas vezes inconsciente) e muitos ... muitos outros.

Com a aprovação desse PLP tal como se encontra, tornar-se-á arriscada a opção por um emprego público, pois se houver pelo menos dois superiores hierárquicos que considerem que um(a) certo(a) servidor(a) público(a) não é eficiente em seu trabalho, após duas avaliações durante dois anos consecutivos nas quais o resultado seja o de insuficiência quanto ao desempenho (ou três avaliações negativas interpoladas durante um período de cinco anos), essas duas avaliações irão para "a autoridade máxima da instituição", a qual caberá a decisão final. Se esta autoridade máxima confirmar o veredicto dos dois superiores hierárquicos mencionados, o(a) servidor(a) será exonerado(a) sem as indenizações existentes no setor privado (FGTS, acréscimo de 40% sobre o saldo do FGTS, Aviso Prévio, férias vencidas e não gozadas, Seguro Desemprego e outros). E o mais grave ainda: o servidor(a) não terá o direito a recorrer a qualquer instância superior para reverter sua exoneração, e esta se dará sem processo administrativo. Apenas os servidores investidos de cargos das chamadas carreiras de Estado (advogados da União, defensores públicos, delegados e policiais da Polícia Federal, desembargadores, juízes e outros pouquíssimos cargos e seus correspondentes nos estados e municípios) continuarão a ser desligados somente após um processo administrativo.

Certamente este projeto de lei complementar visa tornar muito mais fácil a demissão de funcionários públicos por diversos objetivos perseguidos de forma obstinada pelos que concentram cada vez mais renda e riqueza em nosso país. E quais são alguns desses objetivos? Ei-los: 1) para que a elite econômica, indignada com os gastos do Estado com previdência, assistência social e salários do funcionalismo possa diminuir drasticamente os gastos nessas áreas, a fim de pagarem menos impostos; 2) para que o Estado direcione muito mais recursos a obras de infraestrutura e logística (estradas, portos, aeroportos, ferrovias, hidrovias, hidrelétricas, entre outras), que funcionam como subsídios ao capital; 3) para que o BNDES, entre outros bancos públicos financiadores de atividades empresariais, possa ter mais dinheiro a ser emprestado para grandes empresários, banqueiros, agroindustriais e afins a juros subsidiados; 4) para que haja um aumento dos recursos do orçamento da União, dos estados, dos municípios e das empresas estatais (as que sobreviveram ao processo de privatização a partir dos anos de 1990) destinados ao chamado superávit primário (consulte bons textos e livros-texto de economia sobre a definição de superávit primário e que tenham sido escritos por economistas de diversas vertentes); 5) para abrir mais um campo de empreendimento aos detentores de capital na área de prestação de serviços, pois em havendo diversos cargos em aberto em diversos setores do Estado como consequência de aposentadorias e demissões, estes seriam preenchidos por funcionários terceirizados, ou seriam assumidos por O.N.Gs., após uma possível alteração constitucional para permitir essas transformações. Estes são apenas alguns dos objetivos e constituintes ideológicos da elite econômica, pois há outros que não alenco neste artigo por desconhecê-los, ou simplesmente por não querer alongá-lo ainda mais.

Conheço alguns funcionários públicos que não se oporiam a um sistema de premiação por empenho por suas atividades, desde que este fosse pautado pela objetividade e transparência, mas o PLP em questão não trata disso, e sim da demissão de funcionários a partir de avaliações de desempenho na maior parte das vezes subjetivas. Com isso, impor-se-á nas repartições públicas um clima de terror no qual superiores hierárquicos, muitas vezes por motivações inconscientes e critérios de avaliação subjetivos, farão com que as relações com seus subordinados sejam dominadas por assédio moral e ameças implícitas e explícitas de futura demissão. Ao serem introduzidas essas mudanças, ruirão alguns conceitos e práticas essenciais ao serviço público em suas relações internas, tais quais a impessoalidade e uma certa dificuldade existente atualmente para a formação de feudos internos lesivos ao Estado.

Aprovado o PLP tal como se encontra, o possível próximo passo seria estipular "metas de desempenho" a serem cumpridas pelas repartições públicas, as quais seriam traçadas conforme a ideologia e a forma de gerenciamento da coalizão de partidos no comando do Estado. Não atingidas essas metas, partir-se-á para a eliminação dos "culpados". Muito possivelmente será sob este contexto que funcionará a chamada avaliação de desempenho. Essas mudanças deixam claro que o Brasil persiste no caminho da ideologia da exclusão e da destruição do ecossistema (a ideologia neoliberal).

É verdade que há uma parcela de maus funcionários públicos, mas os estatutos existentes são suficientes para dar conta deles e, se for o caso, desligá-los da função pública. Mas os maus, diferentemente do que muitos crêem, não são a maioria.

Diante dos cenários expostos, chega-se à conclusão de que parte significativa dos funcionários públicos correrá o risco de ser demitida e terá a sua vida arruinada tais quais muitos dos que trabalhavam nas antigas empresas estatais privatizadas. E isso se dará em uma condição pior do que a destes últimos, já que os que são regidos por estatutos não têm direito às indenizações (dos submetidos à CLT) citadas em parágrafo anterior. Diante do exposto, sem dúvida alguma mais renda será espoliada daqueles que necessitam do trabalho para a subsistência e transferida para os que estão no topo da pirâmide social e econômica.


COMO ACOMPANHAR A TRAMITAÇÃO DESSE PLP.

É possível acompanhar a tramitação desse PLP através da página da Câmara dos Deputados. (Copie e cole o endereço abaixo na barra de seu navegador).

http://www2.camara.gov.br/proposicoes

Proceda da seguinte forma:Logo abaixo de Pesquisa pelo Número da Proposição, na parte do Tipo, clique no triângulo de cabeça para baixo e selecione PLP - Projeto de Lei Complementar (atentem bem, é P no final da sigla, e não "C").Em seguida, logo abaixo, digite o número do PLP, que é: 248 . Feito isso, digite o ano do PLP, que é 1998 . Clique em Pesquisar.

Também é possível ler o texto do PLP na íntegra na página abaixo (copie e cole o endereço na barra de seu navegador):

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Projetos/Plp/plp248.htm

Quanto mais funcionários públicos e seus parentes e dependentes ficarem conscientes do que signfica a aprovação desse PLP, melhor. E mais importante ainda é que saibam quais partidos e quais deputados federais e senadores pretendem aprovar o PLP 248/1998 . Se entre os partidos, deputados federais e senadores dispostos a aprovar o referido projeto constam aqueles nos quais votaram nas últimas eleições, convém refletir seriamente se persistirão no erro votando neles ou se passarão a escolher com muito mais cuidado o seu deputado federal e senador.

Lembro-lhes de que não adianta um deputado federal ou senador isoladamente ser contrário à aprovação do PLP em questão se a liderança do partido dele (ou dela) orientar seus subordinados a votarem a favor dele (do PLP). Portanto, pesquisem a fundo quais deputados e senadores são favoráveis e quais são contrários a esse PLP. E, principalmente, quais partidos são favoráveis a esse PLP e quais são contra.


Divulguem, por favor!

Quinta-feira, 27 de Março de 2008

A Inutilização do Ser e o Endeusamento do Cliente e do Capital

"Inútil, a gente somos inútil", essa é a canção que me vem à mente quando olho o mundo e percebo o sistema excludente e desumano quase que completamente intacto em suas estruturas, apesar do rastro de bilhões de pessoas sedentas (de água não contaminada e de justiça), famintas e marginalizadas.

Automatizam-se os meios de produção e de prestação de serviços de modo a substituir pessoas que dependem do trabalho para sobreviver. Softwares (a grosso modo, sistemas operacionais, aplicativos e programas) e equipamentos modernos substituem funcionários administrativos. Introduz-se o downsing, o programa de qualidade total, o just-in-time e outros sistemas ditos modernos e essencias à sobrevivência das corporações (as empresas). Amplia-se cada vez mais a mecanização da produção agrícola, dispensando os que tiravam seu sustento do trabalho em terras alheias. Neste novo sistema de produção internacionalizado (ou globalizado) e "competitivo" - na verdade, dominado por grandes e poderosos oligopólios - a produção e até mesmo a prestação de serviços se fragmentam, deixando o país no qual situam-se suas matrizes, e se fixando provisoriamente em países nos quais os impostos cobrados, as leis trabalhistas, os salários pagos e a legislação de proteção ao ecossistema, entre outros quesitos, lhes propiciam maiores lucros.

Nas mais diversas corporações (empresas) e instituições financeiras, nacionais e transnacionais, radicalizam-se os processos de terceirização e contratação por tempo determinado. E como se não bastasse isso e o exposto no parágrafo anterior, grassam as discriminações nos processos de recrutamento e seleção de candidatos(as) a emprego e, consequentemente, a exclusão dos discriminados pelos mais diversos motivos: idade, gênero, aparência, etnia, cor, classe social, pelo quantidade de tempo em que se está desempregado, pela quantidade de tempo em que ficou nos últimos empregos e muitos ... muitos outros.

Sofisticam-se sistemas financeiros de modo a enriquecer pouquíssimas pessoas a partir de expectativas de crescimento dos lucros e de aumento do capital das empresas das quais possuem ações, além de enriquecerem por meio de ataques especulativos a moedas tendentes à desvalorização, através da especulação com comercial papers, ou da venda de ações de empresas cuja contábilidade foi fraudada para demonstrar lucro e expectativas de lucro inexistentes. E todo esse enriquecimento de pouquíssimas pessoas se dá sem que haja investimento em atividades ligadas à produção de bens e de serviços no mundo real, como se fosse uma máquina de gerar dinheiro a partir do nada.

Neste novo mundo em que detentores do capital minimizam cada vez mais seus custos, e aumentam exponencialmente seus lucros, existem apenas três entes: o empreendedor, o funcionário altamente especializado e o cliente. Somado a estes, impõe-se o ambiente político, econômico e institucional da elite econômica que controla o Estado: a coerção para que os contratos firmados sejam rigorosamente cumpridos, o Estado mínimo para as áreas de proteção à vida e à dignidade da pessoa humana, e Estado grande o suficiente para as ligadas à de segurança e de proteção à propriedade privada. O resto ... que resto? Existe algum resto? Se não se incluem em qualquer dos três entes citados, simplesmente não existem. E se insistem em existir e se opor a esse sistema devem ser anulados ou aniquilados.

Sob o sistema descrito, o ser humano em si, desvinculado do estar e/ou de ter potencialidade para estar cliente, empreendedor ou funcionário altamente especializado é como um lixo orgânico putrefato e inútil (ou, se preferirem, lixo ambulante não-reciclável, conforme expressão criada por ... terá sido eu o primeiro a usar essa expressão? ... em discussões cibernéticas).

A maioria de nós pertence aos "a gente somos inútil", e isso se dá em razão da probabilidade significativa de passarmos da condição de prestadores de serviço, ou de empregados com remuneração suficiente para a própria subsistência e de poucos entes queridos, à de desempregados ou subempregados crônicos sem remuneração ou com remuneração insuficiente. E, em qualquer destas últimas condições, não são poucos os que cruzam a fronteira da vida minimamente digna em direção à sub-vida.


Sábado, 3 de Novembro de 2007

Estabilizou-se a Inflação? A que Preço?

O governo de Fernando Henrique Cardoso conseguiu obter uma relativa estabilidade no que se refere à freqüência e à intensidade dos aumentos de diversos preços considerados em média. Mas quem se aprofundar no estudo da forma como ele o fez, a não ser que seja de alguma vertente liberal interessada no aprofundamento das reformas iniciadas pelo ex-governante, descobrirá algumas dramáticas consequências. E estas não se restringem ao aspecto social.

Sustenta-se, entre parte significativa dos economistas e outros que se beneficiam da chamada financeirização da riqueza, que uma das formas de se obter a estabilidade monetária é através da vinculação da moeda desvalorizada a uma outra (ou algum ativo) cujo poder de troca permaneça estável. Se há um aumento do meio de troca usado para adquirir produtos ou contratar serviços (a moeda ou outro ativo), quando este for percebido pelos agentes econômicos a tendência é de que estes reajustem os precos de seus produtos e/ou serviços.

A partir do ponto de vista do parágrafo anterior, a principal razão da inflação brasileira estaria no excesso de gastos por parte do Estado finaciados por emissão de moeda sob o controle deste e sem os correspondentes aumentos de produtos e serviços na mesma proporção. Uma outra causa da inflação estaria no fato de muitos preços da economia brasileira estarem indexados a algum índice de reajuste.

Assim sendo, uma das formas de se combater a intensidade e a frequência do aumento de diversos preços seria através do controle da moeda por meio da contenção de gastos de seu próprio controlador e emissor: o Estado. E este controle deveria adequar-se ao montante arrecadado com os impostos. A outra, complementar a esta, seria encontrar uma forma de desindexar pelo menos parte significativa dos preços, entre os quais constam, fundamentalmente, o dos salários pagos aos que dependem do trabalho para a subsistência.

Uma outra forma de combate à inflação seria através da troca de títulos públicos e outros ativos rentáveis por recursos vindos de agentes econômicos privados (nacionais e transnacionais), de tal forma que estes últimos obtivessem ganhos com essa transação na forma de juros e correção monetária; e, da parte do governo, este teria como cobrir suas despesas mesmo que estas excedessem o montante arrecadado com os impostos.

Por fim, uma outra opção seria combinar adequadamente a primeira e a segunda forma de combate à inflação, expostas nos dois parágrafos anteriores, com um programa de reformas institucionais e econômicas entre as quais constariam as privatizações de diversos setores produtores de bens (siderúrgico, petroquímico, etc) e de serviços (o de telefonia, o de fornecimento de gás encanado e o de energia elétrica, entre outros) pertencentes ao Estado tendo por um dos objetivos atrair moeda estável (dólares, principalmente), além de favorecer empreendedores e investidores (nacionais e estrangeiros). Foi esta terceira forma de combate à inflação, exposta a grosso modo, a escolhida pela futura equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso na elaboração do Plano Real, em 1994, ainda sob o governo de Itamar Franco.

Usando como chamariz taxas de juros as mais altas do mundo, aceitando a conversão de títulos públicos expressos em dólar, leiloando empresas estatais de serviços públicos essenciais e produtoras de minérios e energia estratégicos, desregulamentando a economia e abrindo-a para os produtos e investimentos (em produção e especulativos), além de usar um banco estatal e federal para sanear as ex-empresas estatais, e igualmente para emprestar recursos aos seus novos acionistas privados (nacionais e transnacionais), entre outras medidas altamente favoráveis ao capital (seja nacional, seja transnacional) o governo brasileiro de Fernando Henrique Cardoso conseguiu atrair montanhas de dólares para o Brasil.


Este artigo ainda não foi concluído devido a minha falta de tempo disponível para terminá-lo, e também em razão da complexidade do tema. Sobre este último impedimento, leia o que consta na descrição deste meu blogue e de minha pessoa..

Domingo, 14 de Outubro de 2007

Onde se Refugiarão Os Excluídos?

Quando soube que a Biblioteca Mário de Andrade, situada no centro da cidade de São Paulo, havia sido fechada por um período de 18 meses, e que ela mudará de perfil passando a ser uma biblioteca voltada para o atendimento de pesquisadores (estes são a minoria) e de empréstimo de livros nos moldes de uma biblioteca circulante, logo me veio à mente a figura dos moradores e moradoras de rua, e também a dos milhares de desempregados vindos das periferias e de lugares empobrecidos do centro que não se enquadram na categoria de pesquisadores, e que não podem emprestar livros por não possuirem um endereço (este é o caso dos moradores e moradoras de rua). Lembrei-me também daqueles da classe média empobrecida residente em algumas partes do centro, que estão sem emprego e dependentes de familiares, que para bibliotecas e centros de acesso gratuitos à internet se dirigem. Pensei comigo: para quais e em quais lugares públicos se dirigirão e se refugiarão esses grupos?

Durante muito tempo de minha vida estive na condição do último grupo citado, e sei da importância de um lugar público como uma biblioteca para a leitura, desenvolvimento intelectual e (por que não?), espaço para descanso daqueles que vão ao centro distribuir currículos em agências de emprego, em lojas e em empresas. Mais difícil é para os dois grupos citados em primeiro e segundo lugar no parágrafo anterior. O segundo grupo citado passa pela privação de não ter dinheiro para pagar o transporte de ida ao centro e retorno a suas casas, tampouco para o almoço ou mesmo lanche em algum bar ou restaurante do centro. Já quanto ao primeiro grupo citado, o dos que fazem da rua a sua casa, tenho informações de que também freqüentam a referida biblioteca para leitura e, provavelmente, nas poucas horas que permanecem por lá têm a oportunidade de esquecer sua triste condição de subvida. Isso quando obtêm a permissão para adentrá-la, pois muitos desses sequer possuem documentos (pode-se dizer que perderam suas identidades em dois sentidos: no da perda do documento que leva este nome e, igualmente, o do ponto de vista psíquico), e sei que lá eles são exigidos como condição para a entrada.

Pior ainda é saber que a Biblioteca Mário de Andrade consiste também em um dos pouquíssimos lugares públicos nos quais os que vão ao centro podem usar o banheiro sem o constrangimento de ter de pedir, muitas vezes cabisbaixo e como que pedindo uma esmola, para que algum dono, gerente ou funcionário de estabelecimentos comerciais os autorizem a usar os sanitários de uso privativo deles próprios e de seus clientes. Havia, inclusive, um shopping center, nas imediações, em que o uso dos sanitários era (talvez ainda seja) cobrado, diferentemente de muitos outros shoppings situados em regiões nobres. Estes "detalhe", envolvendo uma necessidade fisiológica essencial do ser humano, seria cômico se não fosse trágico.

O fechamento temporário e uma possível elitização dos freqüentadores da biblioteca em questão, além de outros fatos ocorridos no centro da cidade de São Paulo, tais como uma certa campanha por sua "revitalização", tem me causado bastante tristeza, ao contrário do sentimento misto de alívio e alegria por parte de alguns cidadãos de classes privilegiadas, os quais desejam o referido espaço "limpo" e "revitalizado". Pois a impressão que tenho é a de que esta limpeza e revitalização consistirá na perseguição e na expulsão de grupos que moram nas calçadas, nas praças e sob os viadutos, ou dos que vão ao centro em busca de meios de subsistência, trabalho ou emprego.


Sábado, 29 de Setembro de 2007

Alguns Negócios Surgidos com Uma Guerra

Quando os E.U.A. e seus aliados decidiram invadir o Iraque, derrubar o governo de Saddam Hussein, e implantar naquele país uma "democracia" (na verdade, uma fachada de democracia) aliada a um sistema econômico tal qual impõem a diversos países do mundo, não o fizeram apenas objetivando colocar governantes, legisladores e juristas que lhes servissem de fantoche nos postos-chave daquele país, a fim de obter vantagens no comércio de petróleo e seus derivados com o país em pauta. O fizeram também com a intenção de apoderar-se de outros setores industriais estratégicos, além do de serviços essenciais. De igual modo, o fizeram com o intento de ganhar contratos de reconstrução da infra-estrutura que seria em grande parte destruída, através de suas empresas e as dos países que os apoiaram, entre outros business.

Obviamente, o que construíram e reconstruíram naquele país não o fizeram gratuitamente através de suas empresas. Alguém pagou por esses serviços, seja através dos recursos pagos ao Estado iraquiano por meio de impostos, seja através de prestação de serviços mal remunerados para as empresas transnacionais encarregadas das reconstruções do que as forças armadas de seus próprios países destruíram. Ou seja, além de verem o seu país ser destruído e espoliado, seus entes queridos serem mortos ou aleijados, os iraquianos pagaram contribuíram fortemente para que mais e mais riquezas fossem transferidas de seu país para as elites nacional e transnacional.

Como se não bastasse tudo o exposto até aqui, os iraquianos ainda tiveram de aceitar as ações de forças de segurança privadas (ou terceirizadas) pelo governo dos E.U.A., as quais não se submetem aos códigos de guerra (se é que existe mesmo códigos de conduta em ambientes de guerra) que visam à preservação de civis e a não execução dos combatentes inimigos que tombam feridos e/ou se rendem, entre outras normas mínimas. Gozando desta condição, essas forças de segurança sentiram-se muito mais à vontade para atirar em quem quisessem, e o fizeram. Seus projéteis atingiram combatentes que de fato lhes atacaram, mas alvejaram também civis ou insurgentes rendidos, feridos e desarmados.

Quem quiser, leia uma matéria relacionada a este tema e publicada na Carta Maior. (copie e cole o endereço em seu navegador)

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14635

Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

Até Quando Gerarão Expectativas Frustradas?

Até quando a elite neoliberal globo-vejista gerará expectativas frustradas nos jovens marginalizados deste país?

Abundam nas grandes e médias cidades brasileiras, e também no campo, jovens que não estão inseridos em nenhum tipo de processo de produção através do qual obtenham o seu ordenado e mantenham, construam ou reconstruam a sua auto-estima. Tendo consciência de que programas televisivos de entretenimento, shows com músicas e artistas consagrados, campeonatos de futebol e diversas outras atividades e dias festivos têm um limite como meios de alienação da realidade sofrida de milhões de comuns entre os mortais, surgem diagnósticos de pretensos sábios para justificar essa realidade. E entre as justificações, além do economicismo ininteligível, surge um outro: o precário nível de escolaridade e de qualificação profissional dos jovens brasileiros.

Como se fosse algo inevitável e não houvesse mesmo outro caminho a não ser o da implementação e do aprofundamento das reformas neoliberais, certos veículos de comunicação e alguns de seus grandes sábios nos informam que os altos índices de desemprego, existentes sob o sistema neoliberal - aumentados significativamente a partir dos anos de 1990 -, são simplesmente uma consequência da má preparação dos jovens para o mercado de trabalho. Se estes forem persistentes, se fizerem uma sequência de cursos profissionalizantes, se se (re)qualificarem, se forem devidamente orientados para as entrevistas de seleção, se se aplicarem nos estudos, entre outros quesitos de uma cartilha, certamente obterão o seu emprego. Obviamente a maior parte destes doutores jamais reconhecerão o caráter profundamente excludente do neoliberalismo, e menos ainda que bilhões de seres humanos servem a este sistema apenas como carvão a mover a poderosa máquina capitalista de vertente neoliberal.

A respeito do abordado aqui, leia o excelente artigo do economista José Carlos de Assis, da página Desemprego Zero.


www.desempregozero.org.br/editoriais/desemprego_jovens.php

Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

As Três Grandes Ameaças ao Sistema e à Espécie Humana

Com o extinção da U.R.S.S. (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e a autonomia da maior parte dos países que em torno dela gravitavam, no final dos anos 1980 e início dos 1990, e com a crise do modelo de socialismo vigente nesta junção de países e no Leste europeu, o sistema neoliberal que já vinha sendo implantado em alguns países adquiriu muito mais força, e passou a alastrar-se pelos mais diversos lugares do mundo. Na seqüência da fragmentação da União Soviética e da crise do sistema nela vigente, começaram a ruir também os sistemas intermediários entre esse sistema e o capitalismo selvagem (o neoliberalismo) que ressurgia: as verdadeiras social-democracias mescladas com o ideário trabalhista.

No entanto, apesar da aparente impavidez do sistema neoliberal, surgem pelo menos três grandes possibilidades de sua extinção. Infelizmente, não apenas do sistema que se pretende vitorioso, mas também da espécie humana.

A primeira maior ameaça que o neoliberalismo traz a si mesmo, e à sobrevivência do ser humano, é aquela que vem como consequência de vários anos de destruição de diversos ecossistemas, e que pode gerar catástrofes ainda não adequadamente conhecidas quanto ao tamanho e à abrangência. Esta destruição parece ter-se intensificado a partir da chamada Revolução Industrial (aproximadamente a partir da segunda metade do século XVIII), quando passou-se a produzir em série de forma muito mais intensa do que aquela feita de modo artesanal, e a utilizar-se nesta produção diversos insumos altamente poluentes (o carvão mineral, os derivados do petróleo, entre outros). Além deste tipo de poluição, contribuiu e continua contribuindo para chegarmos ao ponto em que estamos a derrubada de diversas florestas nativas, tendo como conseqüência a extinção de diversas espécies animais e vegetais, e colaborando decisivamente para o desequilíbrio do ecossistema.

A segunda maior ameaça à continuidade da espécie humana e, na esteira deste, ao próprio sistema neoliberal, poderá vir de dois dos subprodutos desse sistema, os quais certamente são rejeitados por seus defensores como sendo-lhes parte integrante: o imperialismo e a busca obsessiva por armas cada vez mais destruidoras, não apenas para a derrota de forças armadas de países rivais ou de sistemas que se lhe opõem, mas também como um empreendimento bastante rentável. Como prova disso, vide as indústrias armamentistas dos países imperialistas e implementadores do capitalismo selvagem e colonialista, que se constituíram em um negócio lucrativo com suas vendas de armas para diversos países e grupos armados, sendo-lhes vedadas apenas comercializar as de alta tecnologia e ainda não descobertas ou pirateadas por países rivais. Pois, se assim não procedessem, poderiam estar contribuindo para a derrota e destruição dos próprios países onde estão na condição de matrizes. A combinação de ambos, imperialismo e comercialização de armas de alto poder destrutivo poderá resultar em conflitos devastadores e ceifadores de vidas não mais circunscritos a pequenos espaços geográficos, mas atingir grandes porções do Planeta e extinguir a própria espécie humana.

A terceira maior ameaça ao Homo sapiens e ao próprio sistema neoliberal é a deterioração das relações interpessoais associada à implementação e ao aprofundamento desse sistema em diversos países do mundo, tendo como alguns de seus resultados o aumento da violência, da indiferença e do desprezo ante os dramas (a miséria, a pobreza, e outros) do chamado "próximo distante" (vide texto neste blog intitulado A Diferença Fundamental). A conseqüência dessa deterioração poderá resultar em uma série de conflitos, em diversos espaços do mundo, por motivos étnicos e religiosos, ou por fortes contrastes socioeconômicos entre classes em países de alta concentração de renda. Somar-se-iam a esses conflitos os assassinatos pelos mais diversos motivos, muitos dos quais fúteis e que guardam intensa relação com uma cultura na qual o ter se sobrepõe ao ser e à riqueza das relações e das construções humanas visando ao bem comum.

Em suma, o estado de guerra abrangente constante no parágrafo anterior ameaçaria seriamente a sobrevivência da espécie humana a partir do instante em que as mesmas armas de destruição em massa, usadas por nações ou agrupamentos considerados terroristas, caíssem em mãos de grupos em guerra civil.

Observação: O texto acima está sendo aperfeiçoado aos poucos devido a minha falta de tempo disponível para fazê-lo, e também em razão da complexidade do tema. Acrescenta-se a esses motivos o fato de eu sempre reler e reconstruir meus textos, sendo poucos os que permanecem intactos.


Terça-feira, 17 de Julho de 2007

A Diferença Fundamental

Existe algo que quero escrever com mais calma, pois trata-se de tema que exige muita reflexão: a questão da diferença fundamental entre os que se opõem ao neoliberalismo entre si mesmos e em relação aos neoliberais. Essa diferença fundamental consiste, a grosso modo neste início de exposição, em enxergar o outro, aquele que poderíamos chamar de o "próximo distante", ou, também, de acordo com um sistema que criei, de o "ele" como sendo parte de nós mesmos. Não há nada de novo nesta reflexão milenar, mas mesmo assim escrevo algumas linhas sobre ela.

A valorização do eu (ou do si) existe tanto por parte dos contrários às vertentes da ideologia neoliberal e anarco-capitalista (de direita), como dos adeptos de alguma dessas duas vertentes. Não é incomum, em um mundo no qual grande parte dos países é dominada por governos que aplicam e continuam aplicando determinações da ideologia da exclusão e da satisfação do si mesmo (esta é das formas pelas quais me refiro às ideologias liberal e anarco-capitalista), encontrarmos pessoas fortemente centradas em si, voltadas apenas para a satisfação de suas próprias necessidades básicas, e igualmente de desejos de cuja satisfação possa prescindir sem que isso coloque em risco sua própria vida, ou a coloque em condição subumana.

No que se refere à valorização do nós, há uma pequena mudança em relação ao si, e esta consiste em incluir o nós no si (no si mesmo). A fim de tentar deixar isso mais inteligível, imagine um pai, ou uma mãe, que além de estar voltado para a satisfação de suas próprias necessidades, sejam elas essenciais a sua própria vida e dignidade ou não, manifesta afeto, preocupação e desejo de proteção a seus próprios filhos, ao seu cônjugue e a alguns poucos entes queridos. Inclua nesse círuculo restrito, igualmente, alguns poucos amigos(as) neste "nós fortemente associado ao si". Frise-se também que, às vezes, de tão forte a ligação de um ser com o outro (uma mãe em relação a seus filhos, por exemplo), o si confunde-se com o nós. Ainda dentro deste "nós fortemente associado ao si", pode-se incluir aqueles casos em que grupos de pessoas se unem para a defesa de interesses em comum, e que causa a impressão de um esforço por uma causa coletiva, mas que, em parte dos casos, na realidade trata-se de uma defesa voltada para seu próprio interesse, o que faz com que esse nós seja nada mais do que o si (o si mesmo).

Até aqui dá para dizer que tanto os defensores e propagadores das diversas vertentes liberais e anarco-capitalistas quanto os opositores dessas ideologias se enquadram na valorização do eu (ou do si mesmo) e do nós (ou do nós no si), não deixando de considerar as diferenças entre os dois primeiros grupos citados em relação a parte do segundo grupo que verdadeiramente se lhe opõem. Expondo de uma forma mais clara: há semelhança entre os defensores e opositores do neoliberalismo e anarco-capitalismo no que se refere à valorização e à busca da satisfação do si, próprio de todo ser humano, mas é muito possível que haja uma defesa intransigente e vivência própria de quem endeusa o si principalmente por parte das vertentes neoliberais e anarco-capitalistas, embora pessoas que se dizem de esquerda também possam comportar-se tal qual esses dois grupos.

Chega-se, finalmente, àquilo que se constitui na diferença fundamental existente entre os que se opõem ao neoliberalismo, os quais não formam um grupo sem diferenças entre seus integrantes, e esta consiste em enxergar o chamado próximo distante como parte do si (do si mesmo). Perceba que nessa diferença fundamental a terceira pessoa do singular e/ou a terceira do plural (o ele(a) e/ou eles(as)) tranforma-se no nós, no nós dentro do si. E este próximo distante nada mais é do que aquele (ou aquela) pelo qual não nutrimos nenhum tipo de afeto comparável ao que sentimos por nossos entes queridos (aqui incluídos os que não estão ligados a nós por laços hereditários). E esta diferença, a meu ver, caracteriza da melhor forma possível os opositores de esquerda do neoliberalismo em comparação a si mesmos, e também em comparação aos que não se enquadram como sendo de esquerda.


Segunda-feira, 16 de Julho de 2007

Aos Educadores e Educadoras

Costumo guardar parte do que escrevo no "espaço cibernético orkutiano" em pequenos arquivos de texto .txt e estes dentro de uma pasta virtual. Ao reler algumas coisas que escrevi em alguns posts de diversos tópicos e até mesmo em algumas páginas de recados de companheiros e de companheiras (no sentido de opositores da ideologia neoliberal), encontrei o texto logo abaixo, escrito na página de recados de uma professora que muito contribuiu com seus textos em uma certa comunidade de oposição ao neoliberalismo que visito com freqüência.

Sobre a conscientização dos alunos no que tange ao ideário neoliberal, creio que se trata de uma tarefa bastante difícil, pois existem conceitos dificílimos de serem compreendidos por alunos com a média de idade entre 13 e 17 anos (imaginando que esta seja a faixa etária dominante entre os que cursam o 2º grau, mas de forma alguma excluindo os que têm idade inferior ou superior às idades citadas), por exemplo. Contudo, creio que existam formas de associação através das quais possamos fazer com que eles saibam diferir o ideário neoliberal dos outros ideários (o comunista, o socialista, os verdadeiros ideários social-democrata e trabalhista, o nacionalista com componentes keynesianos, o anarquista de esquerda e outros). O importante é fazermos isso da forma mais honesta possível, sem maniqueísmo, a fim de que no futuro, se alguns deles se transformarem em Arnaldos Jabores, Diogos Manardis, Olavos de Carvalhos e Reinaldos Azevedos (infelizmente essa é uma possibilidade significativa), não haja base para sermos acusados de maniqueístas por parte deles.

A tentativa de "tradução" de diversas linguagens técnicas existentes em diversos campos do conhecimento (da Economia, da Política, da História, da Geografia, da Filosofia e outras) para uma linguagem compreendida pelos jovens, a fim de que eles apreendam o que é neoliberalismo (e outros vocábulos e termos associados a esta ideologia), passou a ser um de meus grandes sonhos, mas este dificilmente será concretizado. Mesmo assim, considero fundamental fortalecer as bases teóricas dos que imaginam se opor ao neoliberalismo, a fim de que, se algum destes deixarem de se opor a esta ideologia, o façam com plena consciência dessa escolha, sabendo que estão deixando a ideologia na qual o outro, o chamado "próximo distante" (leia os textos "O cliente em primeiro lugar e o inseto asqueroso do Homo sapiens ... em último" e também "A diferença Fundamental", constantes neste blog) é alguém, é um ser humano como nós, é parte de nós, e indo para uma outra na qual outros só existe o si e os poucos com os quais há forte ligação afetiva. O outro, o chamado "próximo distante", ou não existe ou existe porém por ele se nutre um sentimento de desprezo, ou uma combinação e/ou alternância deste sentimento com o "sentimento" de indiferença (Em que consiste a indiferença? no vazio de sentimento ou em uma variação do sentimento de desprezo?).

Obs.: em diversos pontos modifiquei o texto original, que era bem menor do que este e não se aprofundava tanto nas questões aqui abordadas, para adaptá-lo a este blog.
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Domingo, 1 de Julho de 2007

O Gasto do Governo com Juros

Em recente entrevista, o vice-presidente da República, José Alencar, disse que o Brasil "joga dinheiro pela janela" ao praticar juros tão altos. A afirmação foi feita na abertura do seminário Ethanol Summit 2007, em São Paulo. Segundo Alencar, apenas no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil pagou R$ 600 bilhões em juros. "Se tivéssemos reduzido a taxa nominal à metade da praticada, haveria a economia de R$ 300 bilhões, que poderiam ser usados para saúde, educação e infra-estrutura, uma vez que temos um Orçamento muito enxuto que não contempla todas as necessidades."

É verdade que existem outros itens e "ralos" dos gastos do orçamento do governo federal que também poderiam ser focados (pagamento de funcionários fantasmas, corrupção, fraudes nas aposentadorias, altos salários de alguns cargos da elite do funcionalismo e outros a serem melhor investigados), mas seguramente os gastos com o pagamento dos juros e do principal da chamada dívida pública interna (contida nos diversos títulos públicos ofertados a diversos investidores do mercado financeiro) consta entre os maiores. Contudo, quando a revista Veja e a rede Globo abordam a problemática dos gastos públicos, só focam (ou focam fundamentalmente) os gastos do governo com a previdência e assistência social, e mesma coisa quanto ao funcionalismo (aqui eles o fazem no sentido geral, e não de forma localizada nos altos cargos e nos cargos de comissão bem remunerados).

E ao focarem nos gastos descritos, as forças liberal-conservadoras-reacionárias lançam mão de diversos sofismas, entre os quais consta aquele segundo o qual é necessário que se corte fortemente gastos nas áreas citadas para que o Estado tenha recursos disponíveis a serem destinados à chamada infra-estrutura (estradas, portos, aeroportos, ferroviais, geração de energia e outras), e para que, com menos impostos incidindo sobre os mais ricos deste país e sobre seus empreendimentos e aplicações financeiras, haja mais investimentos nos setores ditos produtivos, e somente a partir disso a Terra Brasilis passe a gerar os tão sonhados empregos ansiados por milhões de marginalizados pelo sistema.
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O Cliente em Primeiro Lugar, e o Inseto Asqueroso do Homo Sapiens, ... em Último

Faz algum tempo criei a expressão "o cliente em primeiro lugar, e o inseto asqueroso do ser humano, em último". Pois todo cliente é um ser humano (pelo menos do ponto de vista da classificação científica das espécies), mas nem todo ser humano é classificado com sendo um cliente, pois este consiste em um estado transitório do ser, relacionado ao seu poder de adquirir bens e contratar serviços, e não a algo que lhe é imanente. Posto isto, percebe-se que no sistema dominante (capitalista e de vertente neoliberal) o ser humano somente possui algum valor quando se transforma em cliente. Há outras situações nas quais igualmente atribui algum valor a este ser, mas aqui foco fundamentalmente esta.

Em um mundo dominado pela ideologia da exclusão e do endeusamento do si mesmo, existem apenas as primeiras pessoas do singular (eu) e do plural (nós), sendo que, nesta última, não estão incluídas as pessoas as quais não estamos fortemente ligados afetivamente (leia o texto "A diferença Fundamental", aqui mesmo neste blog, para melhor compreender esta minha reflexão). Qualquer pensador que observe o sistema dominante, a não ser que esteja petrificado pela ideologia mencionada, muito provavelmente chegará à conclusão de que inexistem, para as pessoas eivadas por essa ideologia, os que não estão clientes.

Eis alguns exemplos. Quantos de nós receberam telefonemas de bancos, instituições financeiras e de cartão de crédito em que o(a) operador(a) de telemarketing, já no início, exalta a nossa credibilidade e nos faz sentir "o cara" ou "a mina" dentro do sistema excludente, para, pouco depois, nos oferecer a abertura de uma conta bancária associada a um sistema de cartão de crédito? Quantos de nós não foram abordados, quase puxados pelo braço, por representantes dessas mesmas instituições nos propondo a feitura de um cadastro para posterior concessão de empréstimo, sem que sequer precisemos dele. Esses são apenas dois exemplos, coincidentemente ligados à atuação de um dos ramos do capitalismo (o capitalismo financeiro) de uma caça frenética a Homo sapiens que estão (frise-se) clientes.

De modo algum culpo os que estão a serviço de empresas e instituições financeiras executando esse trabalho. Muitos destes são vítimas do sistema, e não seus cúmplices. Aqui meu objetivo é mostrar aos leitores o quanto o sistema capitalista em sua vertente neoliberal endeusa, por um lado, o ente chamado cliente, e, no entanto, por outro, nutre profundo desprezo e/ou indiferença por aqueles que estão na condição de dependentes do trabalho para a subsistência. Para constatar isso, examine-se o tipo de vínculo empregatício, a insalubridade do trabalho e o salário desses prestadores de serviço (não os chamo de funcionários porque sei que a grande maioria, quando não todos, está contratada por empresas prestadoras de serviço, e não pela empresa principal, a qual, muitas vezes, grande, poderosa financeiramente e de renome).

Diante do exposto e de fatos que podem ser observados em nosso dia a dia, constata-se que, sob o sistema capitalista neoliberal, o cliente é um deus o qual deve ser bajulado e servido, especialmente quando da simples possibilidade e da efetivação da compra ou contratação de um serviço, e o próximo distante (condição na qual se encontra aquele que depende do trabalho para a sobrevivência), um inseto asqueroso.

Sábado, 23 de Junho de 2007

A Linguagem Ininteligível Usada por Adeptos do Neoliberalismo.

Algumas das armas poderosas dos neolberais, bem como o ambiente propício para usá-las, são a linguagem inintelingível que utilizam (termos técnicos de Economia), somado a um discurso apocalíptico do tipo "ou fazemos as reformas ou mergulharemos no caos", bem como uma população com baixíssimo nível educacional, cultural e de formação política e ideológica. Existe também o alçamento dos postulados econômicos neoliberais e monetaristas (escola liberal de Chicago tendo Milton Friedman como seu grande mestre) à condição de ciência exata.

Sábado, 2 de Junho de 2007

O Brasil João-ninguém de Acordo com Muitos Neoliberais

Queria escrever um texto um pouco maior, com mais argumentos e com diversas informações que contestam a tentativa que diversos neoliberais orkutianos estão fazendo, em diversas comunidades, tópicos e posts do sistema Orkut, para depreciar fortemente o Brasil e a América Latina, transformando o primeiro em um país e o segundo em uma região de joões-ninguém, por meio de suas críticas mordazes devido a esses países não terem seguido rigorosamente a cartilha redentora (a neoliberal, claro). Eles são bastante ardilosos ... e como são. E seus objetivos são desconhecidos por muitos. Por isso, vou tentar expô-los, mesmo que precariamente e a grosso modo.

Trata-se de uma estratégia da direita neoliberal já bastante surrada, diga-se de passagem, na qual o país assimila a pecha de um grande brasil-joão-ninguém perdido no meio da América Latrina e que precisa urgentemente aprofundar-se nas reformas neoliberais (também chamadas por outros nomes, como, por exemplo, reforma do Estado, reformas estruturais e por aí vai) para somente a partir delas crescer prá @#%$!*&%#@*, e somente após esse tal crescimento haveria mais renda e mais riqueza, as quais seriam distribuídas através de mecanismos de mercado, e, a partir disso, todos (ou pelo menos grande parte dos brasileiros) passariam a viver felizes e felizes para sempre.

Continuem depreciando o Brasil e a América Latina, caros tecnocratas, empresários, banqueiros e intelectuais liberais sui generis, e a dizer que "o país necessita urgentemente de reformas de cariz liberal (ou neoliberal) para se transformar nos grandes Estados Unidos do Brasil da América do Sul. Quem sabe vocês consigam convencer a muitos dos que os lêem e os ouvem, e eles passem para a banda de vocês, aí para a banda da elite neoliberal globo-vejista, e como consequência os ajudem a exigir mais e mais reformas de cunho capitalista selvagem. Afinal, poderosos veículos de comunicação para vocês defenderem as referidas reformas não faltam.



Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007

A Argentina e as Reformas Neoliberais

Fala-se muito no Chile com sendo um exemplo de sucesso das reformas neoliberais havidas naquele país durante o governo ditatorial de Augusto Pinochet, e continuadas por aqueles que o sucederam. Entretanto, percebo que pouco se fala sobre os motivos pelos quais essas mesmas reformas não obtiveram o mesmo êxito na Argentina.

Já li algumas defesas de teses de liberais de diversas vertentes (liberais-clássicos, liberais-conservadores e afins) para justificarem o desastre econômico e social argentino, e a maior parte delas aponta a insuficiência das reformas de cunho liberal para ter acontecido tal desfecho. Inclusive, lembro-me de ter ouvido e lido diversos economistas de alguma vertente liberal dizerem ou escreverem que a reversão de algumas partes das reformas havidas, bem como a renegociação da dívida pública daquele país (chamada por muitos desses liberais de "calote"), conduziriam novamente a Argentina à situação anterior a dos governos neoliberais, com inflação e caos econômico e social (e não é por nada não, mas senti nesses comentários e escritos bastante raiva pelo abandono das reformas neoliberais por parte do presidente Néstor Kirchner, e também forte "vibração" para que os "passos atrás", dados por esse presidente, resultassem em nova catástrofe).

Mas gostaria de ler mais explicações dos defensores da ideologia liberal (ou neoliberal) sobre as causas da catástrofe social e econômica desse país latino-americano. E isso poderia ser feito aqui mesmo, através do espaço destinado aos comentários a este texto.

1) Por que as reformas neoliberais dos anos 90 (1991 a 2000) e início deste século não foram suficientes para que houvesse uma diminuição significativa da indigência e da pobreza na Argentina? (Imagino que este não deveria ser um objetivo das reformas, pelo menos na visão do liberalismo clássico, mas vou deixar a pergunta da forma como está, pois existem liberais que se disfarçam de preocupados com a exclusão de amplas parcelas da população do processo produtivo e de consumo).

2) Que raios de gastos foram feitos pelas províncias argentinas que acabaram por sabotar todo um receituário neoliberal que vinha sendo aplicado, e que, segundo diversos liberais, não fosse esses malditos gastos teria alçado a Argentina às portas do Primeiro Mundo tal qual o Chile?

Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

A Lista de Schindler Brasileira

O texto abaixo foi publicado em algum tópico e em algum post de alguma comunidade orkutiana de oposição ao neoliberalismo. Se não me engano, foi na Odeio Neoliberais. Modifiquei-o em alguns pontos e resultou no que consta abaixo.

Coloque-se "a vida" (entre aspas porque não sei se podemos classificá-la assim) dos moradores de rua das grandes e médias cidades brasileiras e teremos uma Lista de Schindler semelhante àquela feita pelo diretor de cinema Steven Spielberg, com algumas diferenças, as quais exponho aqui (as que me vêm à mente neste momento):

Nos campos de concentração os judeus e outros grupos perseguidos pelos nazistas estavam dentro de um local fechado e de difícil fuga, vigiados por soldados armados, sendo torturados e abaixo do que se costuma chamar de subsistência; nas grandes cidades brasileiras os moradores de rua estão "livres", mas também são vigiados por forças de segurança públicas ou privadas, por vezes são perseguidos por essas forças e podem vir a ser torturados e/ou assassinados. Para conseguir algum alimento, dependem dos chamados "anjos" (voluntários que, ao cair a noite, levam-lhes alimentos, vestuário, remédios, uma palavra amiga ...), de algum dono de bar ou padaria que ainda não se transformou em "homem-freezer", de coisas colhidas em sacos fétidos de lixo e outras formas atentadoras contra a auto-estima e a dignidade humanas. Nos campos de concentração havia as câmaras de gás e os crematórios. Este último era usado após a morte da vítima; na rua não há câmaras de gás, mas não se pode dizer o mesmo dos crematórios, com a diferença de que, quando os moradores e moradoras de rua são incendiados, o são estando vivos:

Como posso sentir apreço por um país assim?

Gostaria muito que houvesse um Steven Spielberg brasileiro e visceralmente contra o neoliberalismo, que produzisse um filme que nada perdesse comparado à Lista de Schindler produzida pelo diretor norte-americano, e que abarcasse o drama (a sub-vida, a vida sem vida) dos moradores e moradoras de rua das grandes e médias cidades brasileiras.
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